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Projeto Recife-Olinda

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Apresentação do projeto Urbanístico Recife-Olinda


PROJETO URBANÍSTICO RECIFE-OLINDA – 2006

Proposta urbanística para Recife e Olinda prevê intervenções em faixa litorânea entre os centros históricos das duas cidades. A área de abrangência do projeto foi dividida em doze setores, cada um com diretrizes específicas. A intervenção deve ocorrer em um período de 15 a 20 anos

Por Valentina Figuerola

Com início previsto para 2007, o Projeto Urbanístico Recife-Olinda pretende transformar completamente a frente atlântica entre os centros históricos das duas cidades pernambucanas. O trecho de 8 km estende-se da Colina Histórica de Olinda até o Parque da ex-Estação Rádio Pina, no Recife. A área, diagnosticada como degradada ou ocupada de forma rarefeita, passará por uma requalificação urbana que prevê a articulação das frentes de água com pontos estratégicos e o fortalecimento da rede cultural e turística da região. A inclusão sócio-territorial das populações carentes também é contemplada pelo plano, que pretende requalificar assentamentos informais.

Propostas do projeto urbanístico

  • Contínuo urbano de 8 km de extensão
  • Articulação da cidade com as frentes de água
  • 1,5 milhão de m² de áreas livres
  • Dotação de equipamentos comunitários e turísticos
  • Urbanização de áreas degradadas
  • Diversidade funcional
  • Melhoria e ampliação da infra-estrutura existente

A área de abrangência do projeto, denominada “Zona de Intervenção”, foi dividida em 12 setores, cada um com um projeto específico. São terrenos ociosos, ocupados por assentamentos precários ou com usos passíveis de desativação, caso do Porto do Recife e dos cais José Estelita e Santa Rita. Para a arquiteta Amélia Reynaldo, coordenadora geral do projeto, as propostas para esses setores seguem uma tendência ditada por experiências internacionais. “É semelhante ao que foi feito em outros portos do mundo como, por exemplo, os de Gênova, Barcelona, Roterdam, Hamburgo, Liverpool, Marselha e Buenos Aires”, diz a arquiteta. Os projetos para os setores serão implantados por meio de parcerias públicas-privadas.As diretrizes urbanísticas e as estratégias de implementação foram definidas em conjunto pelos governos federal e estadual e pelas prefeituras de Recife e Olinda. O trabalho também contou com a participação e consultoria da Organização Social Núcleo de Gestão do Porto Digital e da empresa pública portuguesa Parque Expo. “O plano é inovador por superar a forma setorial e burocrática de se fazer projetos urbanísticos”, afirma a arquiteta e urbanista Raquel Rolnik, secretária nacional de programas urbanos do Ministério das Cidades. Em abril de 2005, as quatro entidades públicas envolvidas assinaram um acordo de cooperação técnica.

O Projeto Recife-Olinda não surgiu do nada. Propostas como o Metrópole 2010, plano diretor de 1998, e o Metrópole Estratégica, de 2002, serviram de referência, pois já identificavam a região como um território de oportunidades para a atração de empreendimentos. Outro trabalho que serviu de ponto de partida foi o Plano do Complexo Turístico Cultural Recife-Olinda, de 2003, que vê a cultura como eixo central do processo de desenvolvimento. Além da valorização do patrimônio cultural, o atual plano também visa à proteção dos ecossistemas naturais.

Mesmo antes de começar a ser debatido pela sociedade, já havia quem taxasse o Projeto Urbanístico Recife-Olinda de um complexo imobiliário mascarado de proposta urbanística. Contrária a essa opinião, Raquel Rolnik, do Ministério das Cidades, defende o caráter social do plano. “Um dos pontos fortes é a inclusão social e territorial das populações carentes”, afirma Raquel. Assentamentos informais de baixa renda como, por exemplo, Comunidade do Pilar, Santo Amaro, Azeitona, Coque e Salgadinho passarão por uma renovação urbana para serem integrados à cidade.

Estima-se que a intervenção aconteça em um período de 15 a 20 anos. No que se refere a sua concretização, o projeto traz uma novidade: a criação da Sociedade Implementadora, entidade autônoma responsável pela realização de todos os atos necessários à execução da intervenção programada. “Evidentemente que, para isso, essa entidade deverá dispor de vários instrumentos financeiros, legais e urbanísticos”, esclarece o arquiteto português Carlos Barbosa, coordenador geral da proposta por parte da Parque Expo, que carrega no currículo projetos importantes como o Parque das Nações, em Lisboa.

OS SETORES

A Zona de Intervenção tem 470 ha (359 ha no município do Recife) e foi dividida em 12 setores. Apesar de cada um ser objeto de projetos específicos, é possível classificar as intervenções em dois tipos:

Áreas de renovação urbana: setores subutilizados e ociosos, com grande potencial para a renovação urbana. Enquadram-se a área portuária obsoleta (Porto do Recife) e antigas linhas férreas desativadas (Cais José Estelita e Santa Rita). Desabitados ou sem população fixa, esses setores devem passar por processo de urbanização para atrair novos residentes ou fixar os atuais. Melhorar a acessibilidade dessas áreas com suas frentes de água é outro objetivo. Setores: 1, 2, 3, 4 e 8

Á reas de requalificação urbana: assentamentos informais, de baixa renda, que devem ser integrados à cidade (inclusão sócio-territorial). A idéia é que essas populações sejam favorecidas pelo atendimento de suas necessidades habitacionais, de equipamentos coletivos e de infra-estrutura. Outros objetivos são as melhorias da mobilidade, transporte público e geração de empregos.

Setores: 1, 5, 6, 7, 9, 10, 11 e 12


Istmo e Coqueiral (setor 1, em área de renovação urbana)
Região estratégica pela potencialidade de abrigar empreendimentos de porte metropolitano que gerem receita para Olinda e criem empregos para favorecer a inclusão social. O Istmo, uma área de preservação, terá uso apenas contemplativo, sem áreas edificantes. A abertura de acesso à frente de água e a recuperação da área estuarina do Rio Beberibe também fazem parte do projeto.
 
  
Milagres (setor 1, em área de requalificação urbana)
A criação de passeios públicos, a articulação entre Recife e Olinda e a manutenção dos usos existentes são partes importantes do projeto para Milagres. Também estão previstas a configuração da porta de acesso Norte a Olinda, a transferência de habitações degradadas e a valorização do patrimônio histórico e urbano (igreja e praça dos Milagres).
 
 
Vila Naval (setor 2)
A área abriga a Vila dos Oficiais e Praças da Marinha do Brasil. Parte dela será destinada para o mercado popular de habitação, comércio e serviços. O projeto prevê a construção de uma nova ponte que articula a área ao bairro do Recife. A criação da praça de água de Santo Amaro e de passeios públicos faz parte da proposta, assim como a valorização do patrimônio histórico (Cemitério dos Ingleses, Igreja de Santo Amaro das Salinas e Hospital de Santo Amaro).
 
 
 
Porto do Recife (setor 3)
Uma das áreas mais emblemáticas do projeto, o Porto do Recife apresenta parte de sua área subutilizada, com deslocamento gradativo de atividades para o Porto de Suape. Além de sua reestruturação, serão agregadas novas funções portuárias (terminal marítimo e de passageiros). Parte da área será destinada para o mercado popular de habitação, comércio, serviços, escritórios, passeios públicos e equipamentos turísticos e de lazer. A área será articulada à Vila Naval por meio da construção de nova ponte. O antigo caminho de articulação entre Recife e Olinda será resgatado e os patrimônios histórico e urbano serão valorizados (Forte do Brum, Terminal de Açúcar e silos portuários).
 
 
 
Cais José Estelita e Cais de Santa Rita (setor 4)
Fundamental para a articulação Sul e Centro do Recife, a área abriga trilhos de antigas linhas férreas desativadas que configuram um obstáculo para a integração da cidade com suas frentes de água – integração prevista pelo projeto. Parte da área será destinada ao mercado popular de habitação, comércio, serviços, escritórios, passeios públicos e equipamentos turísticos e de lazer. O Forte de Cinco Pontas e seu entorno histórico configurado pelos bairros de São José e Santo Antônio serão valorizados.
 
 
Ilha do Maruim (setor 5)
Localizado às margens do rio Beberibe e do Canal da Malária, em Olinda, o antigo vilarejo de pescadores tem cerca de 1,9 mil habitantes. Além da requalificação urbana, o projeto prevê a construção de um píer de apoio aos pescadores, a recuperação e a urbanização da orla, além de acesso à frente de água.
 
 
 
Santo Amaro (setor 6)
A Zona Especial de Interesse Social (Zeis) de Santo Amaro tem 15,6 mil pessoas e já foi objeto de saneamento e melhorias urbanas na década de 1990. Apesar disso, ainda é carente de obras de urbanização. Desfruta de uma localização privilegiada, com fachada para as avenidas Agamenon Magalhães e Odorico Mendes
 
 

Pilar (setor 7)
Habitada por aproximadamente 500 famílias, a comunidade do Pilar detém um dos piores Índices de Desenvolvimento Urbano do Recife. Pequenas e insalubres unidades habitacionais e comerciais ocupam cerca de quatro quadras do antigo traçado e leitos das vias. A valorização do patrimônio histórico, como a Igreja do Pilar, é um dos itens contemplados pelo projeto.

Salgadinho (setor 8)

Configurada por pequenos lotes e ruas estreitas transversais que a articulam com a avenida Agamenon Magalhães, a área abriga cerca de 1,7 mil habitantes. Apesar do baixo padrão urbanístico, tem excelentes condições de acessibilidade, o que a torna especial para a instalação de empreendimentos. O projeto prevê a reestruturação da ocupação da área, agregação de novas funções de caráter metropolitano e redução das barreiras viárias. O local será articulado com o parque Arcoverde, o Coqueiral e o Istmo de Olinda.

Azeitona (setor 9)

Situado em áreas alagadas às margens do canal de Azeitona, da Lagoa de Pulsação e do rio Beberibe, o setor é parte de um conjunto de assentamentos informais de baixa renda. Parte de sua área é de propriedade da União.

Coque (setor 10)

Ocupação irregular e precária situada às margens do rio Capibaribe e caracterizada pela alta densidade populacional, ausência de espaços livres, de infra-estrutura urbana e equipamentos coletivos. Sua formação data de 1920, substituindo antigos manguezais por sucessivos aterros e teve origem com a construção dos primeiros mocambos do Recife. A área está classificada como Zona Especial de Interesse Social (Zeis) e é habitada por cerca de 16 mil pessoas. A recuperação das frentes de água é um dos objetivos.

Coelhos (Setor 11)

Classificada como Zeis, a área é contígua ao bairro da Boa Vista. Com 5,4 mil habitantes, é caracterizada pela alta densidade populacional, ausência de espaços livres, de infra-estrutura urbana e equipamentos coletivos. A recuperação das frentes de água é um dos objetivos.

Brasília Teimosa (setor 12)

Habitada por cerca de 20,5 mil pessoas, a Zeis teve sua origem em um antigo vilarejo de pescadores, na década de 1950. Constitui, na realidade, um dos mais representativos assentamentos de baixa renda em processo de urbanização, graças à luta de sua população para permanecer neste sítio. Apresenta um estágio significativo de reurbanização. Recentemente, foi objeto de uma intervenção que substituiu as palafitas por uma via litorânea, ganhando nova faixa de praia e equipamentos coletivos e de lazer. A comunidade de antigos pescadores se expressa pela gastronomia regional que constitui uma potencialidade econômica da área.

* Acesse fotos detalhadas deste box no slide show em: http://www.revistaau.com.br/arquitetura-urbanismo/149/imprime26571.asp


Histórico do Projeto Novo Recife e outras propostas

maquete virtual do projeto recife-olinda

Maquete virtual do Projeto Recife-Olinda

Um dos argumentos frequentes a favor do projeto do consórcio Novo Recife para a área do Cais José Estelita é simplesmente a ausência de outra proposta. Ouve-se muito algo do tipo: “a área estava abandonada, veio a empresa com uma proposta para revitalizá-la, modernizá-la etc e agora querem barrar o projeto!” Mas isso é um equívoco, dentre outras razões, porque existiam sim várias propostas para a área antes mesmo da aquisição do terreno pelo consórcio de empreiteiras. E pelo menos uma delas, o Projeto Recife-Olinda, mesmo tendo pontos questionáveis, era sem dúvida bem superior do ponto de vista urbanístico. Os slides abaixo, usados numa apresentação de Amanda Florêncio de Macedo, fazem um histórico dos projetos para a área e uma comparação entre os dois principais projetos.

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