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Direitos Urbanos e as eleições 2012

O Recife viveu nas últimas semanas dias de debate político intenso. Começamos fomentando um debate fantástico no Cinema São Luiz, com a I Mostra Direitos Urbanos e o segundo encontro do grupo do filme Eleições: Crise de Representatividade. Depois vieram a expulsão das famílias que ocupavam o túnel de Boa Viagem, a ocupação da Câmara de Vereadores, os protestos na Prefeitura do Recife, a remoção das pessoas para abrigos e até para o Geraldão e, por um outro lado, a anulação das prévias do PT e toda a confusão (eleitoral) que veio em seguida.

Espero que o debate continue intenso até as eleições. Mas, esse texto, entendendo que o Direitos Urbanos é um grupo amplamente heterogêneo, tem o objetivo de começar a discutir a postura que o grupo deve ter nas eleições municipais que se aproximam. Um candidato a vereador recentemente afirmou que o grupo não deve entrar na discussão partidária, “mas pode cumprir um papel muitíssimo importante na qualificação do processo eleitoral e na qualificação de nossa frágil democracia”.

A cobertura jornalística na semana da expulsão das famílias que ocupavam o túnel, por exemplo, privilegiou com dezenas de valiosas páginas dos cadernos de Política a disputa interna do PT. Pessoalmente, como jornalista, acredito que foram poucas as matérias e em espaço menos nobre que abordaram a remoção de famílias que ficaram desabrigadas. Ou seja, acredito que é necessário politizar o debate urbano ou se vocês preferirem urbanizar o debate político. Mas vou tentar, a partir de agora, resumir uma discussão que tivemos pelo Facebook.

É evidente que dentro de 6.000 pessoas vamos ter eleitores com as mais diferentes visões e que isso vai gerar conflitos, mas será possível criar um ambiente de discussão em alto nível. Afinal, é como fala Edilson Silva, que foi candidato majoritário nas últimas três eleições pelo P-Sol: “dá uma tristeza danada não termos espaços de “nível” para poder debater com os demais candidatos. Os formatos de debates são viciados, é tudo marquetado, os veículos de imprensa, em regra, permitem e até garantem que os debates sejam mera propaganda eleitoral. Falas de um minuto, réplica e tréplica de 30 segundos, etc. Com a autoridade que este grupo está adquirindo – felizmente -, pode-se cobrar dos candidatos que venham ao debate, de forma franca e aberta, assumam compromissos, registrem com assinatura (como o programa Cidades Sustentáveis está fazendo) e se permitam ao controle social via estes grupos como o Direitos Urbanos”.

Por isso, faço questão de publicar esse texto que começou a ser gerado há algumas semanas, logo após irem ao ar as propagandas do candidato a prefeito Daniel Coelho, do PSDB, nas quais aparecem algumas cenas gravadas no Cais José Estelita. São, afinal, os dois lados do antigo espectro direita-esquerda, se colocando positivamente em relação a um debate iniciado por nós.

O filósofo Leonardo Cisneiros lembra que foi dito #ocupesãoluiz: “se a gente não tem pragmatismo, a Moura Dubeux tem. Daqui a pouco a gente vai deixar de discutir que cidade a gente quer para ficar lembrando da cidade que a gente queria…” E ainda lembra que “um problema tão grande ou maior do que termos esse prefeito, é a falta de gente na Câmara de Vereadores que exerça efetivamente a fiscalização do Executivo. Nesses problemas que o DU vem discutindo, um vereador não cooptado pelo poder executivo ou pelo “poder imobiliário” conseguiria mudar um bocado o jogo. E foi assim que o Marcelo Freixo construiu seu nome para uma candidatura que está criando tanta expectativa lá no Rio”.

O sociólogo Jampa destaca a fala do professor Fernando Fontanella, também no evento realizado no Cinema São Luiz. Para eles, “a pragmática desse grupo heterogeneo que é o DU concretizasse em suas ações, uma distinção entre lógica tática (sem projeto definido) e estratégica (com um projeto de poder bem delimitado). De minha parte acredito, concordando com o Fontanella, que para além da estratégia de tomada de poder (que concretamente não temos), para bem e para mal, o mais importante da caracterização efetiva de nossas ações tem sido, por várias e diversas razões (cada um tem a sua, inclusive partidária), a de seguir um fio tênue onde a política tem sido conduzida pelo debate a respeito dos problemas da cidade. Sem nenhum pronunciamento oficial (como poderia ter num grupo que agrupa de maneira tática?), a questão de nomes (própria de um projeto programático da tomada do poder) deve sempre, é o que defendo, ser subtraída ao debate que importa: como os candidatos (qualquer que seja, independente de partido) incorporam ou deixam de incorporar os temas, as propostas, as críticas, as ideias, as ações, etc. do Direitos Urbanos em seus programas de governo, em seus discursos, em suas plataformas”. João Paulo conclui, afirmando que, “fora desse procedimento moderado pelo veio anarquico, vejo apenas um tipo de acirramento político tradicional, a meu ver bem nocivo ao desenvolvimento pleno das potencialidades táticas acima citadas”.

No entanto, nesse ambiente de pouco mais de 6.000 pessoas eu já encontrei três candidaturas a vereador, além do candidato a prefeito do PSDB. Sem falar do pessoal do Partido Pirata, que hasteou a bandeira no último #ocupeestelita, de muitos amigos petistas como o próprio Jampa, das respostas que recebemos de pré-candidatos ao debate que estamos criando (Paulo Rubem, Raul Henry, Raul Jungman e o próprio Daniel Coelho), temos tido a participação efetiva nas atividades dos pré-candidatos a vereador Gustavo Carvalho (PV), Flavio Campos (PSB) e Edilson Silva (P-Sol).

Pessoalmente, acho muito importante que eles participem, como cidadãos e que mantenham a mesma postura que têm tido até hoje. E tomei inclusive a liberdade de convidar a diversos outros candidatos a prefeito (via twitter) para a I Mostra Direitos Urbanos, porque acho que o debate que estamos travando é de questões que deveriam estar no topo das discussões dos candidatos a prefeito e vereador. Mas a maioria só tem falado em listas e filiados e abuso de poder econômico em uma prévia, de um partido específico.

Leonardo Cisneiros, antes de mim, sugeriu um debate sobre a necessidade ou o erro do grupo fazer alianças. No caso, ele se referia aos partidos de esquerda, mas talvez haja também quem veja possibilidade do próprio DU fazer alianças táticas? Sem exigir de ninguém, mas sugerindo algumas possibilidades. Ele também acha “que o blog pode vir a servir de centralizador de alguns debates levantandos pela eleição e do interesse do DU, mas não estou sugerindo que vire plataforma para este ou aquele candidato. É só que a gente pode levantar temas e pedir a eles, mas também aos outros candidatos, que escrevam algo a respeito”.

Honestamente, acho muito difícil manter a coerência quando se está no calor do debate eleitoral. E eu acredito que o Direitos Urbanos, por mais que atue fortemente em questões políticas e que seus membros possam ter atuação partidária, tem que como coletivo se precaver para não se meter no meio dessa ou de outras disputas por espaço político.  Por outro lado, esse grupo tem despertado muitas esperanças. Assessor de João Paulo no primeiro mandato de um vereador eleito pelo PT no Recife, Edzen Ribeiro, está desiludido com o PT, mas diz que “se nós não acreditarmos no “começar de novo”, é melhor parar de lutar e pendurar as chuteiras”.

“Essas variações de percepção sobre a política tradicional se refletem no tipo de tática e de possibilidade que consideramos. Vai se refletir também no tipo de demandas, nas metas que colocarmos e nas decepções. Se a gente consegue uma alteração no gabarito dos prédios do Novo Recife, isso é uma vitória? (pra mim, sim) O que é negociável e o que não é? Tudo isso, que diz respeito também a aspectos táticos do grupo, depende dessas perspectivas sobre esse conflito entre utopia e pragmatismo. Esses e outros temas de reflexão levantados pelas eleições são temas que dizem respeito a tudo o que estamos fazendo no DU mesmo não sendo uma questão urbana concreta. Isso precisa ser discutido se a gente quiser partir para a discussão mais geral e mais fundamental que a gente tanto promete”.

Fernando Fontanella interpreta “que esses movimentos recentes aparecem de uma certa dificuldade de lidar con os canais institucionais, oferecidos pela política tradicional e partidária ou pelo Estado (na forma de “Orçamentos Participativos”. Cidadãos de grupos diversos, vivendo em uma sociedade desarticulada e atomizada em vários sentidos, sentem uma necessidade de uma política mais espontânea, e querem se ver mais representados, mas encontram diversas barreiras. Remetendo muito ao que Gabriel Mascaro falou no debate que encerrou o #ocupesãoluiz, a busca de relações intersubjetivas, de sentimento, muitas vezes oferece um caminho para a reconexão, e é por isso que muitas vezes encontramos mais representatividade em provocações estéticas do que em política institucionalizada. Nesse sentido, discussões como a do DU têm uma força muito mais tática, mas o desafio (e a ansiedade cada vez mais manifesta) é como isso pode se desenvolver em uma estratégia (e uma estratégia VIÁVEL). O tático não exclui o estratégico, mas é a ênfase do DU no momento, e esse nível tático ganha força pela urgência das questões que nos preocupam”.

Cristina Gouvea lembra “que sobre os pontos em que as eleições atravessam o DU acho que no São Luiz realmente chegamos num debate bem consistente. Sem soluções mas com ótimo encaminhamento e reflexão”.

Fontanella se preocupa porque “Os Occupy flertam muito com os movimentos anarquistas, que conseguiram sempre ter uma força inspiradora muito grande, conseguiram sempre ter uma força tática de impacto muito efetiva, mas foram extremamente ineficientes estrategicamente e não conseguiram constituir uma alternativa viável aos grupos hegemônicos que tomam o Estado, e acabaram sendo engolidos”. Para depois explicar que se refere aos movimentos americanos, já que movimentos europeus mais fundamentados em grupos de resistência mais organizados conseguem exercer uma pressão maior.

Com a experiência de quem vive a política partidária desde criança, Jampa lembra que “É preciso encontrar um equilíbrio entre as duas coisas. Acho que o DU, pela tensão que sofre a esse respeito, tem condições de chegar a isso se não sucumbir de imediato as forças que puxam para um lado e para o outro dessa linha tênue aí”. Cristina Gouvea “do que consigo entender do DU, tão de dentro e tentando afastar o olhar pra ver de fora, ele não se enquadra nem num lugar nem no outro, é uma plataforma, um aglutinador, uma estrutura de suporte que se relaciona com uma das duas formas de atuação, mas não se define por nenhuma delas. Não sei o que ele vai ser, mas creio que se pudermos sustentar por mais tempo essa condição amorfa teremos por mais tempo como aproveitar a potência que o DU tem mostrado que tem”.

Fontanella responde: “acho que é por isso que eu falei tanto de ansiedade, e acabo enfatizando muito uma coisa que percebo quando todos manifestam essa dificuldade de encontrar uma representatividade política. Como diz a Ana Paula Portella, tá difícil e isso deprime. Uma alternativa seria entrar na política, fundar um partido ou “ocupar” algum, mas todo mundo teme ser engolido por “executivas” ou por “correntes”. Por isso muita gente adere a alternativas mais difusas, é um jogo de risco constante, é instável, mas na medida em que se mostra efetivo para representar ALGUMA resistência, alguma vontade política, ganham mais força. Problema é que direção essa força essencialmente emergente pode tomar.

Para Claudio Guedes Fernandes “Pragmatismo não pode ser trocado por oportunismo. O que há na política partidária é oportunismo ao quadrado, pois oportunamente querem se auto entitular pragmáticos, sujando este conceito que busca eficiência e elegância (tanto material quanto intelectual), algo muito distante de nossa história política, guardadas as mui raras e gratas exceções”. Beto Azoubel discorda afirmando: “concordo muito com Claudinho. mas também penso que (ainda) há um jogo a ser jogado que é o da política institucional, logo partidária. E fico matuando aqui quais seriam (e serão) as nossas mui raras e gratas exceções…”

Foto: Leonardo Cisneiros

Centenas de pessoas participaram da l Mostra Direitos Urbanos

Leia abaixo a cobertura do portal LeiaJá da I Mostra Direitos Urbanos, realizada no Cine São Luiz, na última segunda-feira. A reportagem teve algumas pequenas correções. Veja todas as fotos da galeria e vídeo com falas de Rutílio de Oliveira e Cristina Gouvea no site: http://www.leiaja.com/noticias/2012/l-mostra-direitos-urbanos-inicia-no-cinema-sao-luiz

Por: Rhayana Fernandes/LeiaJá

Foto: Marionaldo Junior/LeiaJá Imagens

O Cinema São Luiz abriu as portas nesta segunda-feira (21) para a primeira edição da Mostra Direitos Urbanos do Recife que, em parceria com o movimento #ocupeestelita, exibiu curtas-metragens sob a temática das grandes cidades, o seu progresso, o poder dos consórcios imobiliários e as questões sociais.

Foram exibidos Projeto Torres Gêmeas, de direção coletiva, Menino Aranha, de Mariana Lacerda, Recife Frio, de Kleber Mendonça Filho, entre outros. Por problemas de horário, o longa-metragem da noite, Um Lugar ao Sol, do cineasta Gabriel Mascaro, não pôde ser exibido, para dar vez ao debate que aconteceu após a apresentação dos curtas.

Mascaro, inclusive, falou sobre a sua perspectiva de algumas pessoas morarem em edifícios com vista privilegiada, sem ao menos se sensibilizarem com os fatos sociais que envolvem o entorno de suas casas. “O filme é a negociação do processo de como a sociedade vem lidando com esse novo olhar”, afirmou.

Cineastas, pesquisadores e professores de universidades públicas do Recife estiveram presentes no evento, discutindo o espaço público no Recife, que passa por uma crise. “É importante provocar a cidade como um todo e esses filmes são como um chamado para que as pessoas prestem atenção nisso”, conta o professor da Universidade Católica  (Unicap), Fernando Fontanella, que enfatizou a importância da atuação da mídia na sociedade.

O curta Velho Recife Novo, da Contravento,  também foi um dos filmes apresentados e debatidos na noite. “Existem algumas características que levaram esse filme a ser discutido por sete especialistas – entre elas, a urgência para falar sobre as problemáticas da cidade, a velocidade como a coisa estava se transformando e o vácuo da crítica dos partidos esquerdistas, que foram silenciados”, disse o cineasta Marcelo Pedroso.

A intenção do projeto também foi questionada pela pesquisadora da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Márcia Larangeira. “É uma ótima proposta descentralizar o projeto, levar a mostra desses filmes aos bairros e escolas públicas da cidade”, enfatizou.

Novo projeto – Simultaneamente ao debate, que ocorria na sala do São Luiz, outro grupo se reunia no primeiro andar do prédio para o pontapé inicial de um novo curta com o tema Eleições: Crise de Representação.

Juntos desde a produção do filme Torre Gêmeas, de direção coletiva, o grupo se encontrava pela segunda vez para decidir estratégias de divulgação do novo projeto, como o futuro blog que será lançado no mês junho. “Não é um grupo fechado, ele é feito pela sociedade e para a sociedade”, enfatizou o cineasta e professor da UFPE, Camilo Soares.

“O filme está aberto para quem quiser participar e contribuir. Ele será aberto a colaboração do público em geral”, explicou o documentarista e idealizador Felipe Peres. O envio de material para o filme deve se encerrar 15 dias após o 1° turno das eleições e as inscrições devem ser abertas em breve. O lançamento está previsto para 2013.

Direitos Urbanos, Cine São Luiz e as eleições que se aproximam

Uma grande coincidência uma reunião para a elaboração de um filme sobre as próximas eleições estar se realizando justamente durante a I Mostra Direitos Urbanos? No Cine São Luiz, nesta segunda-feira, os curtas começam a passar às 16h. Por volta das 19h, quando o pessoal estiver finalmente chegando dos seus trabalhos, o grupo que esteve na produção do ProjetoTorresGêmeas vai pedir licença para discutir a construção de um documentário que tem como tema a crise da nossa representação política.

Alguém pode dizer que só querem discutir eleições porque ontem o PT do Recife deu provas de que chegamos a um nível tão baixo que poucos imaginávamos que poderíamos chegar da nossa representação (não vou dizer pública). Bem, se a reclamação é porque você quer assistir os filmes, pode ficar na sala. The show must go on!

Mas saiba que o cineasta Marcelo Pedroso esteve conversando comigo sobre as ideias dele muito antes desse domingo. Que no último #ocupeestelita, ele fez parte de um grupo que decidiu essa temática, para uma nova produção coletiva. E que, assim como a questão urbana vem sendo discutida há décadas nessa cidade, muito antes do PT assumir o poder no Município as eleições já rendiam tema para estudos acadêmicos, trabalhos artísticos e de muitas outras formas de expressão do pensamento.

Eu mesmo só fiz um filme em minha vida, com as também jornalistas Mariana Melga e Juliana Carvalho. Tinha pouco menos de 20 minutos e se chama Parcialmente Verdadeiro. Gravamos cerca de oito horas de depoimentos para mostrar como foi suja a primeira eleição que levou João Paulo à Prefeitura do Recife, com um certo enfoque para a cobertura jornalística feita pelos nossos três maiores jornais. Foi trabalho de quem entendia alguma coisa de eleições e pouco sobre documentário, mas teve o mérito de ter as únicas entrevistas até hoje que já vi de Roberto Magalhães e Orismar Rodrigues sobre a invasão e as ameaças ao colunista social que marcaram a pré-campanha daquele ano.

Mas a mostra não é de filmes que abordam a questão urbana? Sim, mas é também uma seleção de curtas e longas que foram importantes para o desenvolvimento de uma ou duas gerações que, apesar de ter perdido completamente a confiança nos políticos eleitos por nós mesmos, faz questão de dizer que quer pensar um novo jeito de construir a cidade.

A jornalista Mariana Lacerda na certa não tinha consciência do que ia acontecer ao levar as palavras tão sábias de sua mãe, a arquiteta Norma Lacerda, ao vídeo sobre o menino que invadia os mais altos prédios do Recife. Assim como Kleber Mendonça Filho entrou na sua própria casa para gravar Enjaulado sem imaginar que estaria dando uma contribuição para o debate em 2012.

O grupo Direitos Urbanos desenvolve uma discussão a partir de elementos que já estão sendo colocados há décadas. O Recife é sim uma cidade mais quente, mais engarrafada, sem calçadas e sem ciclovias, em que os tubarões tomaram conta da praia de Boa Viagem por conta de intervenções na paisagem criadas por esse bicho chamado homem. Mas, assim como a nossa umidade faz brotarem formas vegetais em ambientes estranhos, esse clima obrigou também a florescer uma discussão forte de quem não aceita mais eleger quem não lhe representa.

Nesse sentido, me parece que não é uma coincidência no mesmo dia estarmos discutindo o direito à cidade e as eleições. Entendo que é sim uma linda prova, no dia seguinte a uma demonstração tão cruel de como está sendo decidido o futuro do Recife, de que acreditamos sim que podemos ajudar através de projetos coletivos a mudar o rumo das nossas vidas.

Por isso e por saber que uma segunda-feira não é fácil para muita gente, quero agradecer antecipadamente a todos que tiverem condições de ir ao Cine São Luiz hoje. Venham cedo, cheguem atrasados, dêem uma passadinha ou mandem o recado pelo amigo. Se está liso, é grátis. Mas uma contribuição de quem tiver condições será aceita. Quem não é de discussão pode só assistr aos filmes. Os cinéfilos que conhecem os curtas e o longa podem ir só pra participar do debate.

Mas é importante que saibamos que a discussão do grupo Direitos Urbanos não é de hoje e que começa a gerar frutos importantes. O São Luiz é nosso: #ocupesãoluiz!!! O Cais José Estelita é um símbolo importante do que queremos mudar: #ocupeestelita!!! As eleições municipais estão próximas e vamos então, no mínimo, dar uma contribuição coletiva para esse debate também ter um pouco da nossa voz.

Até daqui a pouco. No mais lindo símbolo que essa cidade tem da união de arte e urbanidade: o Cine São Luiz, na I Mostra Direitos Urbanos, a partir das 16h. E para quem não tiver condições de ir deixo um filme que mostra sem muitas palavras os efeitos do nosso silêncio. Eiffel, de Luiz Joaquim, apesar de não ter sido divulgado antes também está entre os filmes que queremos mostrar e que discutem o direito à cidade. Afinal, “cada lugar tem o monumento que merece”.

Nesta segunda, São Luiz recebe a I Mostra Direitos Urbanos

Longa Um lugar ao sol, dez curtas e debate estão na programação, que terá entrada gratuita.

O Cine São Luiz recebe nesta segunda (21), a partir das 16h, a I Mostra Direitos Urbanos, com exibição de curtas e do longa Um Lugar ao sol. Em comum, os filmes têm o fato de tratarem de temáticas das grandes cidades, falando sobre o progresso, apontando para questões sociais e tentando descortinar o poderio dos consórcios imobiliários, que não apontam construções saudáveis em termos urbanísticos, ambientais e sociais. Será uma boa oportunidade para quem quer conhecer mais da produção do cinema pernambucano, mas também para os cinéfilos que querem entender melhor o discurso de grupos que vêm se organizando pela internet para exigir a regulamentação de leis que possibilitem o crescimento sustentável das nossas cidades.

Importante, no entanto, perceber que a produção cinematográfica sobre o tema é absolutamente autônoma e reflete basicamente um sentimento de alguns artistas, já que muitos dos filmes foram idealizados e realizados antes do início de grupos na internet como o Direitos Urbanos ou da realização de protestos como as três edições do #ocupeestelita, no Cais José Estelita. O longa escolhido para encerrar a programação, Um lugar ao sol, do cineasta Gabriel Mascaro, é uma das mais polêmicas produções do nosso cinema. Foram entrevistados moradores de coberturas no Recife, Rio de Janeiro e São Paulo que falam na sua perspectiva sobre o fato de morarem em posição privilegiada. Cenas como a de uma carioca dizendo que se diverte ao assistir aos tiroteios nas favelas conseguem chocar, sensibilizar e ao mesmo tempo tirar risadas da plateia, por revelarem a distância de percepção de fatos corriqueiros dos moradores de coberturas e das pessoas comuns.

A programação de curtas está bastante variada. Será uma boa oportunidade para quem ainda não viu na tela do cinema o filme Menino Aranha, de Mariana Lacerda, que numa perspectiva completamente diferente aborda também a questão da verticalização no Recife. A jornalista escolheu a história da criança pobre que escalava por fios para assaltar prédios altos da nossa cidade, cresceu sendo mandado e fugindo dos centros de reabilitação de adolescentes e ganhou as manchetes dos nossos jornais por assustar a classe média recifense. De forma poética, a cineasta trata a mesma distância de realidades que parece incomodar o documentarista Gabriel Mascaro, em Um lugar ao sol.

Com uma importante produção que trata os problemas urbanos do Recife, Kleber Mendonça Filho terá exibidos Enjaulado, de quando ainda era crítico de cinema do Jornal do Commercio, na década de 90, e o premiadíssimo Recife Frio. A escolha de curtas que representam momentos tão diferentes da carreira do cineasta, que neste ano estará em Cannes com seu longa Um som ao redor, demonstra que a preocupação com a temática é antiga e ao mesmo tempo atual.

A I Mostra Direitos Urbanos será oportunidade também para ver na tela grande do Cine São Luiz produções que têm circulado pela internet como Recife MD e Desgovernado, do grupo Vurto; Torres Gêmeas (direção coletiva) e Velho Recife Novo, da Contravento. Terá ainda exibição do Diarios do Coque, de Maria Pessoa, produzido para o programa DOCTV; e do também premiadíssimo Praça Walt Disney, de Renata Pinheiro e Sérgio Oliveira. E, talvez o menos conhecido do público, o documentário de 1924, Veneza Americana, de Ugo Falângola e J. Cambieri, um dos primeiros realizados em Pernambuco.

No debate que encerrará a programação, a perspectiva da cidade será tratada desde pontos de vista da comunicação, da organização social e da arte com a presença dos cineastas Marcelo Pedroso e Gabriel Mascaro; Fernando Fontanella, professor da Unicap e Márcia Larangeira, pesquisadora da UFPE. Para quem se interessar, serão vendidas com preço promocional cem cópias do DVD Um lugar ao sol doadas pela produção do documentário para financiar futuras ações do grupo Direitos Urbanos.

A escolha do Cine São Luiz é emblemática. Cinema de rua, em contato com a calçada e o Centro, o São Luiz sofreu com a crise do espaço público em Recife a ponto de passar longo período fechado. Hoje, reaberto, ao mesmo tempo abre espaço e procura seu lugar na dinâmica urbana. Ir ao cinema não significa somente assistir a um filme, é uma experiência coletiva e pode ser uma experiência urbana. O São Luiz, fincado entra a Rua da Aurora e a Conde da Boa Vista, contém a memória da intensidade dessa experiência e flui, como o Capibaribe, a potência do debate atual  sobre o qual nos debruçamos.

Filmes:
Recife MD (Vurto)
Diários do Coque (Maria Pessoa)
Torres Gêmeas (Direção Coletiva)
Menino Aranha (Mariana Lacerda)
Enjaulados (Kleber Mendonça Filho)
Veneza Americana (Ugo Falângola e J. Cambieri)
Praça Walt Disney  (Renata Pinheiro e Sérgio Oliveira )
Recife Frio (Kleber Mendonça Filho)
Velho Recife Novo (Contravento)
Desgovernado (Vurto)
Um lugar ao sol (Gabriel Mascaro)

Horário: 16h às 22h

Preço: R$ 0,00

Local: Cine São Luiz

Cartaz: Henrique Mafra. Texto: Eduardo Amorim.

Autores do [ProjetoTorresGêmeas] têm reunião durante a I Mostra Direitos Urbanos, nesta segunda

O grupo que realizou o filme [ProjetoTorresGêmeas] se reuniu durante o último #ocupeestelita e decidiu o tema para um novo filme coletivo, a ser feito este ano em cima da mesma dinâmica do filme anterior. O tema será: “Eleições municipais – Crise de representação”. Aproveitando a realização da I Mostra Direitos Urbanos, no São Luiz, nesta segunda-feira, a partir das 16h, eles realizam uma nova reunião às 19h no local para conversar mais sobre o tema e encaminhar ações ligadas à divulgação da iniciativa nos mais variados espaços.

O cineasta Marcelo Pedroso lembra que o filme será feito de maneira colaborativa e que qualquer pessoa pode participar enviando material. Tôrres Gêmeas é o terceiro curta da programação e quem quiser pode assistir também pela internet:

I Mostra Direitos Urbanos Horário: 16h às 22h Preço: R$ 0,00 Local: Cine São Luiz

Filmes:
Recife MD (Vurto)
Diários do Coque (Maria Pessoa)
Torres Gêmeas (Direção Coletiva)
Menino Aranha (Mariana Lacerda)
Enjaulados (Kleber Mendonça Filho)
Veneza Americana (Ugo Falângola e J. Cambieri)
Praça Walt Disney  (Renata Pinheiro e Sérgio Oliveira )
Recife Frio (Kleber Mendonça Filho)
Velho Recife Novo (Contravento)
Desgovernado (Vurto)
Um lugar ao sol (Gabriel Mascaro)

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