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O FALSO PROGRESSO

Texto de Leon Victor de Queiroz, em resposta ao editorial do JC do dia 6 de abril.

A Prefeitura da Cidade do Recife – PCR juntamente com grupos empresários, mais especificamente a Moura Dubeux pretendem construir no Cais José Estelita um conjunto com 12 a 13 torres de quarenta pavimentos cada. Os prédios todos em vidro, com magnífica arborização e de uma beleza só vista no Autocad virou um produto, uma IDEIA vendida e difundida à população Recifense com o nome de PROGRESSO.

Juntamente com a Moura Dubeux está o grupo João Carlos Paes Mendonça – JCPM, dono de vários empreendimentos comerciais como o Plaza Casa Forte, Shopping Recife, Shopping Tacaruna e o futuro Rio Mar. O empreendimento da Moura Dubeux com aprovação da PCR terá interligação viária com o Shopping Rio Mar e com a futura Via Mangue. Pelo projeto, isso é vendido como uma coisa excelente, maravilhosa.

O debate está acirrado. Arquitetos e Urbanistas estão dando sua opinião, muitas vezes alcunhadas de “técnicas”. Mas arquitetura e urbanismo não é uma coisa meramente técnica. A Arquitetura e o Urbanismo requer o PENSAR o espaço público não apenas como um conjunto de equações estruturais e concreto mas os IMPACTOS que as obras trarão para a cidade e, mais importante, para a SOCIEDADE.

O Rio de Janeiro quando desapropriou os cortiços para revitalizar o centro da cidade, não levou em conta a realocação da população. Desalojada, procurou o espaço de terra livre mais próximo de onde moravam: O Morro, que virou FAVELA.

Uma sociedade calcada no culto ao belo, à moda e ao dinheiro esquece de cuidar de TODOS os que utilizam o espaço urbano. Não basta apenas comprar Brasília Teimosa e jogar a população em Camaragibe, ou em “Tejipior”. É preciso saber COABITAR com a população mais pobre. É preciso entender que o Recife é de TODOS. O progresso não é um conjunto de concreto e vidro. O progresso é termos uma cidade em que se possa andar por suas ruas, onde os pobres e os ricos se vejam e não se agridam, onde os espaços públicos sejam pensados e discutidos para que seu planejamento leve em consideração a HARMONIA SOCIAL.

É difícil de entender. Mas a população do Recife precisa acordar. Muita gente vai a Nova York e Buenos Aires, voltam tecendo verdadeiras declarações de amor por essas cidades mas não sabem que suas atitudes individuais e mesquinhas impossibilitam um Recife mais harmônico, mais aprazível, mais moderno.

Eu ainda me escandalizo quando os moradores dos edifícios de quarenta pavimentos assumem postura de vítimas e reclamam do péssimo trânsito em volta dos bairros. Mas foram eles que desequilibraram a região.

O progresso não está na suntuosidade ou embelezamento do espaço construído. O progresso está em viver sem medo da violência, em transitar pela cidade a bordo do transporte público. O recifense precisa acordar. Não são os políticos que farão isso. SOMOS NÓS! Acordem meus amigos. A cidade que queremos só depende de nós. Progresso não é beleza, progresso é HARMONIA.

 

Editorial JC – O vazio em torno do cais

Editorial do JC em 06/04/2012

Editorial do JC em 06/04/2012 defendendo o Projeto Novo Recife e criticando os grupos que se opõem

Editorial do Jornal do Commercio no dia 06 de abril de 2012. Gerou um belo debate no grupo, com boas contribuições que serão compiladas em breve numa resposta ponto a ponto.

O vazio em torno do cais

Seguindo os exemplos de outras grandes cidades do mundo – como Barcelona, Buenos Aires, Roterdã, Cidade do Cabo – o Rio de Janeiro está dando andamento ao projeto Porto Maravilha, com que se busca a revitalização da área onde está localizado o seu centenário porto, onde vivem 22 mil pessoas com um dos menores índices de desenvolvimento urbano da cidade. A conclusão do processo de transformação da área – devendo abrigar uma população de 100 mil pessoas – está prevista para 2015. O entendimento é de que o Porto Maravilha é necessário para a inserção de uma área de cinco milhões de metros quadrados no planejamento da cidade.
O que isso tem a ver com o Recife ficou bastante visível na apresentação do projeto de reocupação dos antigos armazéns do Cais José Estelita, no Centro do Recife, uma área praticamente abandonada, servindo de abrigo a uma população favelada. O propósito é construir 12 prédios, criação de praças, ciclovias, bares, restaurantes, quiosques, pista de cooper, abertura e criação de ruas para diminuir o impacto do trânsito na área. Como no Rio e todos os grandes centros urbanos que revitalizaram seus portos, o projeto do Recife tem um caráter estruturador para qualquer plano urbano que se queira fazer para a cidade.
Simplificadamente, a cidade pode ser entendida como um produto do porto. Foi em decorrência das condições naturais para abrigar navios que no século 17 os holandeses escolheram o Recife para se instalar. Foi em função da atividade econômica como a produção do açúcar e o embarque no Porto que a cidade ganhou a feição que preserva ainda hoje na área que inclui o Cais José Estelita. Mas há muito tempo o Porto do Recife não é o mesmo que exigiu as grandes reformas urbanas da segunda década do século passado, o transporte ferroviário há muitos anos deixou de ocupar a área central da cidade, mesmo o transporte coletivo do interior para a capital, por ônibus, saiu das proximidades do Cais para a periferia da cidade, o que significa dizer: a estrutura urbana do Recife em sua área mais central está completamente alterada, mas parece que algumas pessoas ainda não viram isso.
Não viram que a cidade precisa ser repensada e isso exige grandes empreendimentos, como esse que é oferecido para o Cais José Estelita, com repercussão imediata no mercado de trabalho, na qualidade de vida para muitas pessoas que terão oportunidade de se beneficiar com os equipamentos sociais ali instalados, e para toda a cidade, pelo processo de renovação do que está degradado. Não se trata de se interferir em espaços históricos ou deformar algum caráter cultural específico da cidade. Trata-se, sim, de dar a um espaço degradado a possibilidade de inserção em um grande plano urbanístico, para o qual – aí sim – se deveriam voltar todas as atenções, inclusive desses grupos que se colocam contra o projeto do Cais. Honestamente, não dá para entender essa posição contrária à melhoria do Centro da cidade do Recife.


Atendendo a pedidos, o link para a discussão no Facebook sobre o editorial:

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