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Direitos Urbanos, Cine São Luiz e as eleições que se aproximam

Uma grande coincidência uma reunião para a elaboração de um filme sobre as próximas eleições estar se realizando justamente durante a I Mostra Direitos Urbanos? No Cine São Luiz, nesta segunda-feira, os curtas começam a passar às 16h. Por volta das 19h, quando o pessoal estiver finalmente chegando dos seus trabalhos, o grupo que esteve na produção do ProjetoTorresGêmeas vai pedir licença para discutir a construção de um documentário que tem como tema a crise da nossa representação política.

Alguém pode dizer que só querem discutir eleições porque ontem o PT do Recife deu provas de que chegamos a um nível tão baixo que poucos imaginávamos que poderíamos chegar da nossa representação (não vou dizer pública). Bem, se a reclamação é porque você quer assistir os filmes, pode ficar na sala. The show must go on!

Mas saiba que o cineasta Marcelo Pedroso esteve conversando comigo sobre as ideias dele muito antes desse domingo. Que no último #ocupeestelita, ele fez parte de um grupo que decidiu essa temática, para uma nova produção coletiva. E que, assim como a questão urbana vem sendo discutida há décadas nessa cidade, muito antes do PT assumir o poder no Município as eleições já rendiam tema para estudos acadêmicos, trabalhos artísticos e de muitas outras formas de expressão do pensamento.

Eu mesmo só fiz um filme em minha vida, com as também jornalistas Mariana Melga e Juliana Carvalho. Tinha pouco menos de 20 minutos e se chama Parcialmente Verdadeiro. Gravamos cerca de oito horas de depoimentos para mostrar como foi suja a primeira eleição que levou João Paulo à Prefeitura do Recife, com um certo enfoque para a cobertura jornalística feita pelos nossos três maiores jornais. Foi trabalho de quem entendia alguma coisa de eleições e pouco sobre documentário, mas teve o mérito de ter as únicas entrevistas até hoje que já vi de Roberto Magalhães e Orismar Rodrigues sobre a invasão e as ameaças ao colunista social que marcaram a pré-campanha daquele ano.

Mas a mostra não é de filmes que abordam a questão urbana? Sim, mas é também uma seleção de curtas e longas que foram importantes para o desenvolvimento de uma ou duas gerações que, apesar de ter perdido completamente a confiança nos políticos eleitos por nós mesmos, faz questão de dizer que quer pensar um novo jeito de construir a cidade.

A jornalista Mariana Lacerda na certa não tinha consciência do que ia acontecer ao levar as palavras tão sábias de sua mãe, a arquiteta Norma Lacerda, ao vídeo sobre o menino que invadia os mais altos prédios do Recife. Assim como Kleber Mendonça Filho entrou na sua própria casa para gravar Enjaulado sem imaginar que estaria dando uma contribuição para o debate em 2012.

O grupo Direitos Urbanos desenvolve uma discussão a partir de elementos que já estão sendo colocados há décadas. O Recife é sim uma cidade mais quente, mais engarrafada, sem calçadas e sem ciclovias, em que os tubarões tomaram conta da praia de Boa Viagem por conta de intervenções na paisagem criadas por esse bicho chamado homem. Mas, assim como a nossa umidade faz brotarem formas vegetais em ambientes estranhos, esse clima obrigou também a florescer uma discussão forte de quem não aceita mais eleger quem não lhe representa.

Nesse sentido, me parece que não é uma coincidência no mesmo dia estarmos discutindo o direito à cidade e as eleições. Entendo que é sim uma linda prova, no dia seguinte a uma demonstração tão cruel de como está sendo decidido o futuro do Recife, de que acreditamos sim que podemos ajudar através de projetos coletivos a mudar o rumo das nossas vidas.

Por isso e por saber que uma segunda-feira não é fácil para muita gente, quero agradecer antecipadamente a todos que tiverem condições de ir ao Cine São Luiz hoje. Venham cedo, cheguem atrasados, dêem uma passadinha ou mandem o recado pelo amigo. Se está liso, é grátis. Mas uma contribuição de quem tiver condições será aceita. Quem não é de discussão pode só assistr aos filmes. Os cinéfilos que conhecem os curtas e o longa podem ir só pra participar do debate.

Mas é importante que saibamos que a discussão do grupo Direitos Urbanos não é de hoje e que começa a gerar frutos importantes. O São Luiz é nosso: #ocupesãoluiz!!! O Cais José Estelita é um símbolo importante do que queremos mudar: #ocupeestelita!!! As eleições municipais estão próximas e vamos então, no mínimo, dar uma contribuição coletiva para esse debate também ter um pouco da nossa voz.

Até daqui a pouco. No mais lindo símbolo que essa cidade tem da união de arte e urbanidade: o Cine São Luiz, na I Mostra Direitos Urbanos, a partir das 16h. E para quem não tiver condições de ir deixo um filme que mostra sem muitas palavras os efeitos do nosso silêncio. Eiffel, de Luiz Joaquim, apesar de não ter sido divulgado antes também está entre os filmes que queremos mostrar e que discutem o direito à cidade. Afinal, “cada lugar tem o monumento que merece”.

Nesta segunda, São Luiz recebe a I Mostra Direitos Urbanos

Longa Um lugar ao sol, dez curtas e debate estão na programação, que terá entrada gratuita.

O Cine São Luiz recebe nesta segunda (21), a partir das 16h, a I Mostra Direitos Urbanos, com exibição de curtas e do longa Um Lugar ao sol. Em comum, os filmes têm o fato de tratarem de temáticas das grandes cidades, falando sobre o progresso, apontando para questões sociais e tentando descortinar o poderio dos consórcios imobiliários, que não apontam construções saudáveis em termos urbanísticos, ambientais e sociais. Será uma boa oportunidade para quem quer conhecer mais da produção do cinema pernambucano, mas também para os cinéfilos que querem entender melhor o discurso de grupos que vêm se organizando pela internet para exigir a regulamentação de leis que possibilitem o crescimento sustentável das nossas cidades.

Importante, no entanto, perceber que a produção cinematográfica sobre o tema é absolutamente autônoma e reflete basicamente um sentimento de alguns artistas, já que muitos dos filmes foram idealizados e realizados antes do início de grupos na internet como o Direitos Urbanos ou da realização de protestos como as três edições do #ocupeestelita, no Cais José Estelita. O longa escolhido para encerrar a programação, Um lugar ao sol, do cineasta Gabriel Mascaro, é uma das mais polêmicas produções do nosso cinema. Foram entrevistados moradores de coberturas no Recife, Rio de Janeiro e São Paulo que falam na sua perspectiva sobre o fato de morarem em posição privilegiada. Cenas como a de uma carioca dizendo que se diverte ao assistir aos tiroteios nas favelas conseguem chocar, sensibilizar e ao mesmo tempo tirar risadas da plateia, por revelarem a distância de percepção de fatos corriqueiros dos moradores de coberturas e das pessoas comuns.

A programação de curtas está bastante variada. Será uma boa oportunidade para quem ainda não viu na tela do cinema o filme Menino Aranha, de Mariana Lacerda, que numa perspectiva completamente diferente aborda também a questão da verticalização no Recife. A jornalista escolheu a história da criança pobre que escalava por fios para assaltar prédios altos da nossa cidade, cresceu sendo mandado e fugindo dos centros de reabilitação de adolescentes e ganhou as manchetes dos nossos jornais por assustar a classe média recifense. De forma poética, a cineasta trata a mesma distância de realidades que parece incomodar o documentarista Gabriel Mascaro, em Um lugar ao sol.

Com uma importante produção que trata os problemas urbanos do Recife, Kleber Mendonça Filho terá exibidos Enjaulado, de quando ainda era crítico de cinema do Jornal do Commercio, na década de 90, e o premiadíssimo Recife Frio. A escolha de curtas que representam momentos tão diferentes da carreira do cineasta, que neste ano estará em Cannes com seu longa Um som ao redor, demonstra que a preocupação com a temática é antiga e ao mesmo tempo atual.

A I Mostra Direitos Urbanos será oportunidade também para ver na tela grande do Cine São Luiz produções que têm circulado pela internet como Recife MD e Desgovernado, do grupo Vurto; Torres Gêmeas (direção coletiva) e Velho Recife Novo, da Contravento. Terá ainda exibição do Diarios do Coque, de Maria Pessoa, produzido para o programa DOCTV; e do também premiadíssimo Praça Walt Disney, de Renata Pinheiro e Sérgio Oliveira. E, talvez o menos conhecido do público, o documentário de 1924, Veneza Americana, de Ugo Falângola e J. Cambieri, um dos primeiros realizados em Pernambuco.

No debate que encerrará a programação, a perspectiva da cidade será tratada desde pontos de vista da comunicação, da organização social e da arte com a presença dos cineastas Marcelo Pedroso e Gabriel Mascaro; Fernando Fontanella, professor da Unicap e Márcia Larangeira, pesquisadora da UFPE. Para quem se interessar, serão vendidas com preço promocional cem cópias do DVD Um lugar ao sol doadas pela produção do documentário para financiar futuras ações do grupo Direitos Urbanos.

A escolha do Cine São Luiz é emblemática. Cinema de rua, em contato com a calçada e o Centro, o São Luiz sofreu com a crise do espaço público em Recife a ponto de passar longo período fechado. Hoje, reaberto, ao mesmo tempo abre espaço e procura seu lugar na dinâmica urbana. Ir ao cinema não significa somente assistir a um filme, é uma experiência coletiva e pode ser uma experiência urbana. O São Luiz, fincado entra a Rua da Aurora e a Conde da Boa Vista, contém a memória da intensidade dessa experiência e flui, como o Capibaribe, a potência do debate atual  sobre o qual nos debruçamos.

Filmes:
Recife MD (Vurto)
Diários do Coque (Maria Pessoa)
Torres Gêmeas (Direção Coletiva)
Menino Aranha (Mariana Lacerda)
Enjaulados (Kleber Mendonça Filho)
Veneza Americana (Ugo Falângola e J. Cambieri)
Praça Walt Disney  (Renata Pinheiro e Sérgio Oliveira )
Recife Frio (Kleber Mendonça Filho)
Velho Recife Novo (Contravento)
Desgovernado (Vurto)
Um lugar ao sol (Gabriel Mascaro)

Horário: 16h às 22h

Preço: R$ 0,00

Local: Cine São Luiz

Cartaz: Henrique Mafra. Texto: Eduardo Amorim.

Velho Recife Novo [Vídeo]

Oito especialistas de diversas áreas (arquitetura e urbanismo, economia, engenharia, geografia, história e sociologia) opinam sobre a noção de espaço público na cidade do Recife e destacam temas como: a história do espaço público na cidade, o efeito dos projetos de grande impacto no espaço urbano, modos de morar recifense, a relação entre a rua e os edifícios, a qualidade dos espaços públicos, legislação urbana, gestão e políticas públicas e mobilidade.

ACORDEUNS

Mais uma belezinha do Vurto!

[projetotorresgemeas]

*FILME RECOMENDADO PARA MAIORES DE 16 ANOS.

O [projetotorresgemeas] é fruto de várias discussões que vêm sendo realizadas sistematicamente há aproximadamente 2 anos. Ele nasce da vontade de algumas pessoas ligadas ao meio audiovisual pernambucano de falar do Recife e de suas relações de poder a partir do projeto urbano que vem sendo desenvolvido na cidade.

A ideia consistiu da realização de um filme coletivo, feito a partir de vários olhares sobre a cidade, aberto a qualquer pessoa que desejasse participar, independentemente de experiências prévias com o audiovisual ou outros meios artísticos.

Participaram Allan Christian, Ana Lira, André Antônio, André George Medeiros, Auxiliadora Martins, Caio Zatti, Camilo Soares, Chico Lacerda, Chico Mulatinho, Cristina Gouvêa, Diana Gebrim, Eduarda Ribeiro, Eli Maria, Felipe Araújo, Felipe Peres Calheiros, Fernando Chiapetta, Geraldo Filho, Grilo, Guga S. Rocha, Guma Farias, Iomana Rocha, Isabela Stampanoni, João Maria, João Vigo, Jonathas de Andrade, Larissa Brainer, Leo Falcão, Leo Leite, Leonardo Lacca, Lúcia Veras, Luciana Rabelo, Luís Fernando Moura, Luís Henrique Leal, Luiz Joaquim, Marcele Lima, Marcelo Lordello, Marcelo Pedroso, Mariana Porto, Matheus Veras Batista, Mayra Meira, Michelle Rodrigues, Milene Migliano, Nara Normande, Nara Oliveira, Nicolau Domingues, Paulo Sado, Pedro Ernesto Barreira, Priscilla Andrade, Profiterolis, Rafael Cabral, Rafael Travassos, Rodrigo Almeida, Tamires Cruz, Tião, Tomaz Alves Souza, Ubirajara Machado e Wilson Freire.

Site do projeto: projetotorresgemeas.wordpress.com/

LUZ

 

El centro de São Paulo es un foco de resistencia política.

Bairro da Luz, estigmatizado como “cracolandia” por el poder público, resiste a un intento de gentrificación en tentativa desde los años 70. El último capítulo en la historia de la política urbana del centro histórico de São Paulo, la última estrategia, es el exterminio.

Bajo el nombre de Proyecto Nova Luz, más del 30% del barrio amenaza con ser desapropiado y demolido como parte de un plan para transformar la zona y expulsar a sus actuales moradores, aquellos que luchan hoy por afirmar la existencia de ese territorio y de su cultura.

Contado a través de los testimonios de tres personas implicadas en su resistencia, este documental pretende dar voz a los que luchan por el derecho a la ciudad.
Gracias Paula, Simone y Raquel, por hacernos ver la luz.
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Paula Ribas es periodista, fotógrafa y fundadora de la asociación Amoaluz, creada para defender los derechos de los habitantes del Bairro da Santa Ifigênia e Luz. Forma parte del Consejo Gestor de las ZEIS de Santa Ifigênia y Luz

Simone Gatti es arquitecta y urbanista doctorada por la Facultad de Arquitectura y Urbanismo de la Universidad de São Paulo. Investigadora que tiene como foco de estudio la gentrificación en centros urbanos, colabora desde el inicio con la asociación Amoaluz.

Raquel Rolnik es urbanista, profesora de la Facultad de Arquitectura y Urbanismo de la Universidad de São Paulo y relatora especial de la ONU para el Derecho a la Vivienda.

Proyecto Memoria Interditada.

Plataforma Museo de los Desplazados
lefthandrotation.com/museodesplazados

Proyecto completo en:
lefthandrotation.com/museodesplazados/ficha_luz.htm

Facebook del Museo de los Desplazados: facebook.com/pages/Museo-De-Los-Desplazados-Gentrificaci%C3%B3n-no-es-un-nombre-de-se%C3%B1ora/136884029757255
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Todos los proyectos de Left Hand Rotation te contemplan bajo la licencia Creative Commons,creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/3.0/es/

Desconstrução civil

Audiência Pública sobre o Projeto “Novo Recife”, na Câmara de Vereadores

Para mais vídeos, visitar a página do projeto:

Vurto
(s.m.) do popular vurtar-se, ato ou efeito sobrenatural de aparecer e desaparecer rapidamente

Entre Rios

Entre Rios conta de modo rápido a história de São Paulo e como essa está totalmente ligada com seus rios. Muitas vezes no dia-a-dia frenético de quem vive São Paulo eles passam desapercebidos e só se mostram quando chove e a cidade pára. Mas não sinta vergonha se você não sabe onde encontram esses rios! Não é sua culpa! Alguns foram escondidos de nossa vista e outros vemos só de passagem, mas quando o transito pára nas marginais podemos apreciar seu fedor. É triste mas a cidade está viva e ainda pode mudar!

O video foi realizado em 2009 como trabalho de conclusão de Caio Silva Ferraz, Luana de Abreu e Joana Scarpelini no curso em Bacharelado em Audiovisual no SENAC-SP, mas contou com a colaboração de várias pessoas que temos muito a agradecer.

Direção
Caio Silva Ferraz

Produção
Joana Scarpelini

Edição
Luana de Abreu

Animações
Lucas Barreto
Peter Pires Kogl
Heitor Missias
Luis Augusto Corrêa
Gabriel Manussakis
Heloísa Kato
Luana Abreu

Camera
Paulo Plá
Robert Nakabayashi
Tomas Viana
Gabriel Correia
Danilo Mantovani
Marcos Bruvic

Trilha Sonora
Aécio de Souza
Mauricio de Oliveira
Luiz Romero Lacerda

Locução
Caio Silva Ferraz

Edição de Som
Aécio de Souza

Orientadores
Nanci Barbosa
Flavio Brito

Orientador de Pesquisa
Helena Werneck

Entrevistados
Alexandre Delijaicov
Antônio Cláudio Moreira Lima e Moreira
Nestor Goulart Reis Filho
Odette Seabra
Marco Antonio Sávio
Mario Thadeu Leme de Barros
José Soares da Silva

Pé na Rua sobre o Projeto Novo Recife

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