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O novo mundo nasce no Recife, debaixo de um viaduto.

Post de Felipe Melo, professor de ecologia do CCB da UFPE, no Facebook, sobre o evento do Som na Rural na praça do Cabanga, ontem, dia 22.06.14

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Nunca havia posto os pés na praça que fica ao lado do viaduto Capitão Temudo. Quantos recifenses já caminharam por lá? A praça é um projeto paisagístico lindo, com um lago artificial, bem arborizada mas, cercada por todos os lados por vias de alta velocidade (sic) e maltratada. O‪#‎OcupeEstelita‬ nos deu essa oportunidade, com somente ocupar o lugar, atrair a multidão e transformar um sítio fantasmagórico num espaço de convivência precioso. De repente, estávamos todos lá e felizes. Entre uma conversa e outra, nos dávamos conta de que avançamos definitivamente num debate que congrega as mais variadas perspectivas.

O #OcupeEstelita é tão impressionante que havia lixeiras por todos os lados, sendo constantemente esvaziadas e recolocadas. Saí já tarde e não se percebia rastros significativos de que ali houve uma reunião massiva com atividades culturais e consumo de bebidas e lanches. Até os próprios vendedores de cerveja recolhiam os restos de suas vendas. Tudo cooperativo, auto-organizado graças ao esforço daqueles que defendem um novo mundo. Saí dali para o Recife Antigo, espaço explorado pelo comércio desorganizado, com carros estacionados de todas as maneiras, cadáveres de lata ocupando o espaço que poderia estar cheio de pessoas. Não há lógica de apropriação coletiva da cidade nesses espaços oficiais, mas um aglomerado de usurpação privada dos espaços, cada um como pode. Nunca foi tão triste ir ao Recife Antigo.

O mais importante é que a luta do #OcupeEstelita denunciou claramente os atores responsáveis pelo caos urbano. As empreiteiras, maiores doadoras em campanhas eleitorais, são o grande “lobby” político na realidade atual brasileira. Eles não estavam acostumados sequer a serem contrariados, nunca imaginariam que tivessem um megaempreendimento detido pela força democrática, pela informação da sociedade. Quando antes as empreiteiras tiveram que disputar a opinião pública com uma população informada e criativa, que derruba cada argumento deles? Quando antes, as forças políticas do Recife tiveram que tomar partido num debate desses? Daí o incômodo de João Lyra quando divulga uma nota técnica e tenta “lava as mãos” do sangue que ele sabe que derramou. Daí a ausência de posicionamento veemente de qualquer político de peso em favor das empreiteiras e do projeto Novo Recife. Ninguém defendeu publicamente as empreiteiras, deixaram essa tarefa para seus vários seus porta-vozes disfarçados de jornalistas. É sintomático que um debate dessa magnitude tenha o lado das empreiteiras sendo difundido pela mídia comprada, editoriais agourentos, e propaganda disfarçada de notícia. Nenhum “figurão” de nosso estado comprou a briga pelo lado daqueles que os financiam. Do contrário, aumenta a cada dia os apoios ao #OcupeEstelita e todos orgulhosos do apoio declarado.

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