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O Mimimi da Classe Motorizada

Este texto dá continuidade a uma série de textos sobre mobilidade na semana do Dia Mundial Sem Carro, que ontem publicou o texto de Érico Andrade. O que pretendo nele é mostrar que o problema da mobilidade do carro, o congestionamento, não tem solução. O congestionamento é o resultado inevitável de diversas escolhas da nossa sociedade e o único mecanismo existente para reprimir o uso do carro e o preço a pagar por não querer ir a pé ou de bicicleta. Se a sociedade não quiser fazer um pacto para reprimir diretamente o uso do carro via pedágio urbano, resta livrar o transporte coletivo do problema e deixar que os carros se engarrafem uns aos outros.

Não existe almoço grátis. Essa é uma das máximas mais conhecidas da economia e expressa a idéia geral da economia de que nossas escolhas sempre envolvem trade-offs, isto é, abrir mão de algo para conseguir outra coisa que nos interessa mais. É disso que me lembro toda vez que se tenta debater restrições ao uso do automóvel ou se critica a abertura de mais espaço para os carros. Sempre aparece, mesmo dentre pessoas esclarecidas e bem-intencionadas, uma avalanche de desculpas e racionalizações para defender a manutenção do modelo vigente de mobilidade. Aqui em Recife a nova onda de desculpas apareceu depois das obras do binário das avenidas do bairro do Parnamirim, que fez piorar drasticamente o tráfego na área. Uma novidade dessas obras foi a implementação de ciclofaixas e foram justamente elas que serviram em grande parte de bode expiatório dos críticos defensores da mobilidade de carro. O nível das reclamações foi ladeira abaixo e chegamos a esse grande retrato da sociedade pernambucana quando o locutor de uma manifestação com alguns gatos pingados com pedigree disse que “quem anda de bicicleta está nos morros

Não quero discutir especificamente o binário mas o quanto ele simboliza do erro das políticas de mobilidade e também o quanto as reclamações revelam de um desejo de certa parcela influente da sociedade de usufruir de um “almoço grátis”: manter todas as vantagens e os privilégios do transporte individual motorizado sem arcar com os custos dessa escolha, nem mesmo o mais incontornável e explícito deles, o engarrafamento. Essa afirmação já é, de certa forma, um senso comum, mas minha preocupação nesse texto, até por uma mania de professor de filosofia, é demonstrar a tese de que, dadas as escolhas de mobilidade da sociedade brasileira, o engarrafamento não tem solução. E o peso dessa afirmação é quase o do fatalismo de uma consequência matemática: a luta do transporte individual por espaço no trânsito tem a forma de um modelo da teoria dos jogos chamado Tragédia dos Bens Comuns, que apresento a seguir de maneira bastante informal.

Imaginem a seguinte situação, muito comum em festas de fim de ano da firma ou em festas de aniversário mal planejadas em um bar. Várias pessoas bebem, comem, pedindo diretamente ao garçom, e no final a conta é dividida por igual para todos os presentes sem discriminar o que cada um pediu. Algo muito comum de acontecer é um esperto pedir bebidas ou comidas mais caras e acabar distribuindo o custo do seu pedido pelos demais. Ele toma seu whisky sozinho, mas todos que beberam cerveja acabam pagando seu whisky. Esse quadro pode piorar um pouco quando uma segunda pessoa percebe a tática do primeiro esperto e raciocina: “ora, se eu vou acabar pagando pelo whisky dele, então vou pedir um também e deixar o problema para os outros”. E assim por diante, até o ponto em que a vantagem inicial se dissipa: todos pedem whisky e acabam em conjunto pagando mais caro do que se todos tivessem pedido cerveja.

O emprego do automóvel como meio de transporte tem um custo individual (prestação, seguro, IPVA, gasolina, manutenção..), mas também um custo que é distribuído pela sociedade: a poluição do ar, a poluição sonora do motor e das buzinas, o aumento do número de acidentes graves e, o mais importante para a preocupação específica com mobilidade, cada carro a mais na rua tira espaço de via dos demais carros, isto é, cada carro tem um custo social na forma de um pequeno impacto negativo na velocidade dos demais ocupantes das vias. Esse custo social de cada carro tomado isoladamente é pequeno no contexto geral e menor ainda em relação à parte que cabe ao usuário daquele carro. Quer dizer, cada carro a mais acrescenta um pouco de poluição à poluição existente e esse acréscimo é compartilhado para todos os seres que respiram na cidade, mas essa poluição adicional não vai fazer diferença para o motorista daquele carro. Da mesma forma, o impacto que um único carro a mais tem sobre a fluidez do trânsito é praticamente desprezível. Só um carro a mais não criará um engarrafamento, pode pensar o motorista. Em contrapartida, a vantagem de usar um carro, dadas certas preferências de mobilidade como velocidade, flexibilidade de horários e percursos etc., é muito significativa e totalmente individual. Há assim uma assimetria entre custo e benefícios similar ao caso do whisky: minha contribuição para a poluição/engarrafamento/gasto governamental com acidentes é muito baixa, mas meu benefício de usar o carro é alto. As consequências serão as mesmas.

Da mesma forma que para o espertinho da festa mal planejada, o melhor cenário é o que só ele toma whisky e os demais tomam cerveja, se o seu interesse é chegar mais rápido e com mais conforto, o melhor cenário é aquele em que você opta pelo carro e todos os outros optam pelo ônibus, dando espaço para você. Mas, como na festa, todos têm o direito de pensar da mesma forma e tentar explorar essa vantagem.

O problema é cada motorista sempre pensa que o inferno são os outros, mas ele é o outro dos outros

De fato, todo mundo que está engarrafando o seu caminho tinha uma desculpa para usar o carro ao invés de outro modal tanto quanto você tem: não quer suar, tem que fazer um roteiro complicado, não pode desfazer o penteado, não consegue andar de salto alto nas calçadas de Recife etc. Como o efeito isolado de um carro sobre o trânsito é pequeno, o motorista pode pensar que a aposta é sempre válida. Quando o trânsito está mais sobrecarregado esse efeito aumenta: abdicar do carro em um trânsito já dominado por carros é se sujeitar a mais atrasos, no caso da opção pelo transporte coletivo, ou a mais riscos, no caso da adoção da bicicleta ou da moto. O cálculo individual, colocado nesses termos, só tem uma conclusão: use o carro. Essa é a lógica de quem diz que reconhece os problemas do transporte privado, mas se vê “obrigado” a usar carro. Como todo mundo pensa da mesma forma, o pequeno efeito da decisão de cada um é somado. No caso do bar, a tentativa de todo mundo se dar bem às custas dos outros resultava em uma conta mais cara do que se todo mundo tivesse cooperado. No caso do trânsito, o recurso que é consumido é espaço na rua e este é um recurso finito. Todo mundo pensando assim, o recurso é esgotado, forma-se o congestionamento e todo mundo acaba pior do que se tivesse deixado o carro em casa.

E o pior é que, ao contrário do que dizem os que pregam a solução via campanhas de “conscientização”, não bastam decisões individuais de abandonar o deslocamento por carro, pelo menos não dentro do mesmo conjunto de interesses que levam alguém a optar pelo carro inicialmente e nas condições em que as alternativas se encontram na cidade. Uma primeira razão, é que quem opta sozinho pelo transporte coletivo, do jeito como ele funciona em Recife, sem segregação, quando todos usam o carro, está numa situação similar a quem, no exemplo do bar, tenta sozinho baixar a conta pedindo cerveja, mas acaba pagando pelo whisky dos outros. Ele está no pior cenário: no transporte mais desconfortável e mais lento atrapalhado justamente por aqueles que estão engarrafados, mas, pelo menos, estão no conforto do carro. Tendo opção, ele dificilmente a fará pelo ônibus.

Mas tem um problema maior. Isso porque, como já dito, o inferno do motorista são os outros motoristas: cada um que opta pelo carro estaria melhor se os outros não optassem pelo carro e deixassem a via livre para ele. O resultado disso é que, ao contrário da situação atual, em que é um inferno sair de carro nas ruas congestionadas e só isso serve para inibir o uso do carro, num cenário em que as pessoas de forma voluntária e maciça deixassem seu carro em casa, os engarrafamentos diminuiriam e voltaria a ser atraente sair de carro! A previsão, então, é que as pessoas explorariam essa vantagem e ela desapareceria de novo. Pela mesmíssima razão, cada vez que se abre mais vias ou que se tenta aumentar a velocidade dos automóveis, como no caso do binário Arraial-Encanamento, diminui-se temporariamente o único fator de inibição do uso do carro, as pessoas passam a perceber que não está mais tão ruim sair com ele, voltam a usá-lo e o engarrafamento é restaurado.

Ampliar vias é só ampliar engarrafamentos: o tráfego de automóvel se expande até consumir todo espaço disponível

Isso mostra que o único estado de equilíbrio de um sistema de transporte individual de agentes egoístas, o único ponto em que a oferta e a demanda de espaço na via de rodagem se equilibram, é o congestionamento. E no modelo de hoje, sem regulamentação, com acesso livre e gratuito às vias, é ele a única força inibidora do uso de carro, o ponto em que, por exemplo, pela variável velocidade, ir a pé ou de bicicleta passa a ser mais vantajoso. Por isso, o congestionamento não é exatamente um problema, mas a única solução que a nossa sociedade encontrou para o verdadeiro problema, o excesso de demanda de espaço em via, ou, em outras palavras, o excesso de carro. Como diz Anthony Downs, autor de Still Stuck in Traffic:

“…o congestionamento é o mecanismo de equilíbrio que permite aos americanos perseguirem certos objetivos que desejam fortemente – objetivos que vão além de deslocamento rápido nos horários de pico. Esses objetivos incluem ter uma ampla escolha de lugares para trabalhar e morar, trabalhar durante horários similares para que possam interagir eficientemente, morar em assentamentos de baixa densidade, morar em bairros espacialmente separados de onde moram famílias com menor renda, realizar pequenas viagens individualmente e usar veículos privados para deslocamento porque tais veículos parecem superior ao transporte público sob muitas condições

Além desse modelo do problema do engarrafamento, apresentado aqui de maneira informal, há vários outros resultados formais ou empíricos que mostram que aumentar o fluxo dos veículos automotores individuais não resolve o problema do congestionamento e pode até, em alguns casos piorá-lo. (ver Paradoxo de Braess, paradoxo de Downs-Thomson, tripla convergência, demanda induzida) Por isso, em primeiro lugar, tentar resolver o problema do trânsito oferecendo abrindo mais vias, abrindo viadutos, criando binários, isto é, tentando ampliar a oferta de espaço para o carro ou o fluxo nos espaços já disponíveis, é enxugar gelo e manter privilégios com dinheiro público. Mas, pior do que isso, ao aumentar o espaço e o fluxo dos carros, essas medidas criam locais cada vez mais agressivos ao pedestre, cada vez mais áridos, e induzem, com isso, um círculo vicioso a favor do deslocamento motorizado: se passa a ser perigoso e desagradável andar até a padaria, alguém pode acabar pegando o carro para ir comprar pão e, já que foi de carro, pode preferir o hipermercado à padaria local. O resultado é a degradação da vitalidade do bairro, a morte do pequeno comércio local e a indução de um isolamento de usos, com uma cidade segregada entre condomínios fechados de um lado e shopping centers de outro, ligados por carro em vias de alta velocidade. Na verdade, esse foi o erro primordial do binário Arraial-Encanamento e não tirar um metro de espaço do carro para dar à estreita ciclofaixa ou um ou outro ajuste nas demais ruas. Foi o erro de ampliar o fluxo de veículos no interior do bairro, estimulando a lógica de deslocamento por automóvel em detrimento do deslocamento a pé. A ciclofaixa entraria aí como uma tentativa de mitigar o estrago, reservando um espaço para a bicicleta em um trânsito acelerado que não dá mais para ser compartilhado com segurança. Porém, como vimos, ela acabou sendo tomada como o bode expiatório que diziam respeito a outros problemas no planejamento do binário.

Por tudo isso, a reclamação daqueles que formam o que chamaram de Movimento da Mobilidade da Hilux é uma tentativa de ter um almoço grátis, uma tentativa de comer o bolo e guardá-lo para mais tarde. Se cada dono de carro tem igualmente o direito de evocar o nojo ao seu próprio suor ou a incompatibilidade entre o seu salto alto e as calçadas do Recife (como se não pudesse trocar de sapato no trabalho) para justificar sua escolha de transporte, então não pode reclamar que vários façam a mesma escolha e acabem todos juntos no engarrafamento. A alternativa de ir a pé ou de bicicleta existe e o engarrafamento é o preço justo que se paga pela escolha de, por exemplo, não suar.

Se os argumentos do texto não forem convincentes, basta apelar para a Lei de Godwin

Não há solução prática ao problema do engarrafamento em si mesmo, a não ser que toda a assimetria entre demanda e oferta de via pública desenhada nos exemplos acima seja equilibrada fazendo com que cada um arque com o custo social da sua escolha. Quer dizer, no exemplo do bar, não haveria tentativa de ser esperto se cada um pagasse sua conta sozinho. Então, analogamente, no caso do trânsito, não haveria escassez de espaço na rua se cada um pagasse realmente pelo uso que faz desse espaço e pelo impacto que essa sua escolha tem na mobilidade dos demais. Este é o argumento a favor do pedágio urbano. Porém essa proposta é, em geral, descartada antes mesmo de uma discussão mais séria com a sociedade, em parte por vários equívocos sobre sua natureza, como a impressão de que é mais injusto socialmente. Pretendo voltar mais detalhadamente a esse debate posteriormente. Mas o ponto que deve ficar é que, sem uma estratégia para inibir diretamente a demanda por espaço na via, como o pedágio urbano ou, de maneira bem mais ineficiente, rodízio de automóveis ou restrições de estacionamento, não há solução para o problema do congestionamento do transporte individual em si mesmo. Tudo o que se pode fazer é livrar as alternativas modais do problema criado pelo usuário do carro, com ciclovias ou ciclofaixas e faixas exclusivas para ônibus, vans escolares, táxis ocupados e veículos de emergência. E aqueles que preferem o conforto da Hilux, que o usufrua por mais tempo no engarrafamento.

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Discussão

19 comentários sobre “O Mimimi da Classe Motorizada

  1. Prezado, “aqui NO Recife”. Abraços!

    Publicado por leitor | 19 19UTC setembro 19UTC 2012, 11:25
  2. Conversa com Érico Andrade, autor do texto anterior, no Facebook:

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    Leonardo Cisneiros Valeu, Érico! Pena que eu escrevi demais e pouca gente vai ler…
    Mas, pelo debate: tem uma porradinha involuntária no teu texto (vou até linkar! Hahaha) quando eu digo que a solução não passa pela ação individual. Visse isso? era um trecho que eu achava que ia gerar um pouco de revolta..
    2 hours ago via mobile · Like · 1
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    Bruna Dildeberg Queria que a ideia de “chiqueza” que os novos ricos recifenses tem da Europa fosse estendida à mobilidade urbana, quando até ministros vão trabalhar de bicicleta.
    about an hour ago · Like · 2
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    Érico Andrade Mas, Leonardo Cisneiros uma coisa não exclui a outra, isto é, exigir uma reflexão moral sobre o uso do carro não exclui uma discussão política. Aliás, você coloca muito bem os limites do individualismo de feição egoísta. Contudo, acredito que é importante convencer as pessoas que o uso do carro é um erro histórico que acarreta problemas morais graves, entre eles, destaquei no meu texto a questão ambiental e social. Como é que as pessoas querem uma vida mais agradável e não querem legar para seus filhos um planeta detonado, comprando carros? Essa reflexão deve, portanto, tocar também em questões éticas. Acho que nossos textos se completam. Teu texto é ótimo e quando abarca mais detalhes fica inevitavelmente longo. Pena que nem todo mundo tem disposição para ler um texto mais longo. Meu texto é curso, mas teve que ficar mais curto para sair no DP, se é que vai sair. De qualquer modo, a tua discussão não tinha como ser mais curta. Acho que o Dia Mundial sem Carro vai ser um evento muito bom!
    about an hour ago · Unlike · 1
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    Leonardo Cisneiros pois é.. a gente nem combinou, as daria para fazer uma série com um bom texto por dia até sábado! Tou fechando outro sobre o desafio intermodal e queria fazer uma compilação de trechos do Apocalipse Motorizado. Tu bem que podia me ajudar nisso, né?
    about an hour ago · Like · 1
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    Érico Andrade Posso ajudar sim! Mas, queres que destaque trechos do texto?
    about an hour ago · Like
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    Leonardo Cisneiros Quanto ao moral x político concordo. Tem uma inconsistência na ação dos que querem maximizar o seu resultado sozinhos e não querem que o resultado composto seja pior para eles. É claro que a gente acaba mudando nossa maneira pessoal de ver as coisas, mas eu acho que é mais porque a gente revê a escala de valores do que pelo advento de uma consciência de coletividade. Ou seja, ao adotar a bicicleta, claro que estou pensando em ir mais rápido, mas também é porque dou mais valor a outros fatores do que ao conforto do carro etc. etc. Eu ia até fazer essa ressalva no texto, prevendo as encheções de saco de Jampa quanto aos meus argumentos economicos, mas ia ficar maior ainda.. :p
    about an hour ago · Like
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    Leonardo Cisneiros sei lá. Como tu acha melhor? É porque o Apocalipse tem uma tese muito legal de que o problema é a motorizaçaõ em si e isso sobra até para o ônibus. Li só do Ivan Illich e tem uns trechos geniais sobre como a motorização molda o espaço urbano e a sociedade, criando um círculo vicioso. Uma compilação de trechos daria menos trabalho, mas uma apresentação mais costurada das idéias seria melhor. O que mais tu sugere para continuar essa vibe do DMSC?
    about an hour ago · Like
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    Érico Andrade Vou retomar o livro. O problema é que as aulas começaram nessa semana e a Federal está um loucura. Mas, como rever uma escala de valores sem uma disposição afetiva para assumir uma nova escala?
    about an hour ago · Like
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    Leonardo Cisneiros claro, a escala de valores vem de dentro, é a tal mudança cultural. Mas não é a solução do problema, ela passa pela “autoridade central” do jogo. E mais ainda: tem um problema de legitimidade. O modelo dos jogos pode dar base para uma fundamentação da ação estatal como reequilibrador desse jogo. A mudança da escala de valores, apesar de válida, efetiva etc. tem a ver com as escolhas do indivíduo, com o aspecto moral, como você fala, e se a gente não quer que o Estado se meta nesse tipo de coisa em outros tópicos (homossexualidade, por exemplo), não pode querer que se meta nesse tópico. A gente é mais feliz de bike, a gente acha o carrodependente uma pessoa com deficiência motora (e, em muitos casos, mental), mas não cabe ao Estado mudar *isso*.
    55 minutes ago · Like

    Publicado por Leonardo Cisneiros | 19 19UTC setembro 19UTC 2012, 11:26
  3. There is no free lunch, baby!

    Publicado por Sérgio Farias | 19 19UTC setembro 19UTC 2012, 19:26
  4. Muito bom texto Leonardo…não precisa dizer mais nada sobre o assunto: “Tudo o que se pode fazer é livrar as alternativas modais do problema criado pelo usuário do carro”…isso inverte a lógica do “planejamento” urbano da atualidade, se é que existe…

    Outro ponto importantíssimo encontra-se na questão dos shopping centers e na cidade feita para os carros. Em Paris, as grandes superfícies comerciais (les grands surfaces) são proibidas na cidade. Supermercados como Carefour existem nas portas da cidade, assim como os shoppings, exatamente para preservar a vida urbana e o pequeno comércio…o shopping é a morte da cidade…

    Publicado por Aluizio Camara | 19 19UTC setembro 19UTC 2012, 20:27
    • Aluízio, shoppings são uma praga e temos que bater nessa tecla em breve para que a LUOS que está para ser entregue para discussão na Câmara seja bem exigente quanto a esse tipo de empreendimento.

      Publicado por Leonardo Cisneiros | 20 20UTC setembro 20UTC 2012, 00:19
  5. Excelente reflexao. Irreparavel.

    Publicado por Pablo Holmes | 20 20UTC setembro 20UTC 2012, 13:44
  6. O que vai resolver o problema do transito aqui é o rodizio obrigatório …
    uma parte maior bebe cerveja e a outra parte menor bebe Whisky .. durante a semana vai alterando as pessoas que bebem o whisky.. até que cada pessoa tenha bebido o whisky uma vez na semana e a conta da igual pra todo mundo.
    Rodizio já!

    Publicado por Resolvi o Problema | 24 24UTC setembro 24UTC 2012, 14:02
    • O rodízio é, a princípio, mais igualitário que o pedágio por ser mais arbitrário, indiscriminado, é uma espécie de racionamento compulsório. Mas, como já foi mostrado no caso de São Paulo, os mais ricos podem contornar essa medida comprando mais um carro, com uma placa que permita o tráfego no outro dia. O rodízio talvez funcionasse se houvesse uma restrição tão severa de estacionamento que ficasse impossível ou muito caro manter um segundo carro. Nesse caso teria uma estrutura de incentivos parecida com o pedágio, só que seria muito mais fácil de implementar.

      Publicado por Leonardo Cisneiros | 24 24UTC setembro 24UTC 2012, 14:52
      • Agora, pensando melhor, a sua analogia, em que, no final das contas, há um revezamento em quem sustenta o luxo do outro, se aplica melhor à carona programada, o car pooling do cartaz no texto. As pessoas que trabalham juntas podiam realmente combinar isso: um revezamento de caronas. O problema é que não só isso é difícil de implementar por iniciativa própria, como também, ao tirar carros das ruas, acaba incentivando quem não quer aderir. Por isso precisa de um incentivo oficial, estatal. Uma maneira de fazer isso é criar faixas exclusivas por onde só possam passar veículos com mais de uma pessoa.

        Publicado por Leonardo Cisneiros | 24 24UTC setembro 24UTC 2012, 15:12
    • Discordo. Se implantado o rodizio, o que vai acontecer eh que a classe meRdia vai passar a adquirir mais um carro pra ficar na garagem, basta combinar com o cara da concessionaria qual o ultimo digito da placa…

      Publicado por Caio | 25 25UTC setembro 25UTC 2012, 07:01
  7. Excelente texto. Nao existe almoco gratis. Resta aos nosso governantes entederem isso tambem e que diminuam a conta pra quem pega onibus ou anda de bike, como voce disse, faixas exclusivas, ciclovias, etc. Quem quiser continuar na sua Hilux que assuma a sua parte da barganha

    Publicado por Caio | 25 25UTC setembro 25UTC 2012, 07:03

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