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Ações e mobilização, Audiovisual

Nesta segunda, São Luiz recebe a I Mostra Direitos Urbanos

Longa Um lugar ao sol, dez curtas e debate estão na programação, que terá entrada gratuita.

O Cine São Luiz recebe nesta segunda (21), a partir das 16h, a I Mostra Direitos Urbanos, com exibição de curtas e do longa Um Lugar ao sol. Em comum, os filmes têm o fato de tratarem de temáticas das grandes cidades, falando sobre o progresso, apontando para questões sociais e tentando descortinar o poderio dos consórcios imobiliários, que não apontam construções saudáveis em termos urbanísticos, ambientais e sociais. Será uma boa oportunidade para quem quer conhecer mais da produção do cinema pernambucano, mas também para os cinéfilos que querem entender melhor o discurso de grupos que vêm se organizando pela internet para exigir a regulamentação de leis que possibilitem o crescimento sustentável das nossas cidades.

Importante, no entanto, perceber que a produção cinematográfica sobre o tema é absolutamente autônoma e reflete basicamente um sentimento de alguns artistas, já que muitos dos filmes foram idealizados e realizados antes do início de grupos na internet como o Direitos Urbanos ou da realização de protestos como as três edições do #ocupeestelita, no Cais José Estelita. O longa escolhido para encerrar a programação, Um lugar ao sol, do cineasta Gabriel Mascaro, é uma das mais polêmicas produções do nosso cinema. Foram entrevistados moradores de coberturas no Recife, Rio de Janeiro e São Paulo que falam na sua perspectiva sobre o fato de morarem em posição privilegiada. Cenas como a de uma carioca dizendo que se diverte ao assistir aos tiroteios nas favelas conseguem chocar, sensibilizar e ao mesmo tempo tirar risadas da plateia, por revelarem a distância de percepção de fatos corriqueiros dos moradores de coberturas e das pessoas comuns.

A programação de curtas está bastante variada. Será uma boa oportunidade para quem ainda não viu na tela do cinema o filme Menino Aranha, de Mariana Lacerda, que numa perspectiva completamente diferente aborda também a questão da verticalização no Recife. A jornalista escolheu a história da criança pobre que escalava por fios para assaltar prédios altos da nossa cidade, cresceu sendo mandado e fugindo dos centros de reabilitação de adolescentes e ganhou as manchetes dos nossos jornais por assustar a classe média recifense. De forma poética, a cineasta trata a mesma distância de realidades que parece incomodar o documentarista Gabriel Mascaro, em Um lugar ao sol.

Com uma importante produção que trata os problemas urbanos do Recife, Kleber Mendonça Filho terá exibidos Enjaulado, de quando ainda era crítico de cinema do Jornal do Commercio, na década de 90, e o premiadíssimo Recife Frio. A escolha de curtas que representam momentos tão diferentes da carreira do cineasta, que neste ano estará em Cannes com seu longa Um som ao redor, demonstra que a preocupação com a temática é antiga e ao mesmo tempo atual.

A I Mostra Direitos Urbanos será oportunidade também para ver na tela grande do Cine São Luiz produções que têm circulado pela internet como Recife MD e Desgovernado, do grupo Vurto; Torres Gêmeas (direção coletiva) e Velho Recife Novo, da Contravento. Terá ainda exibição do Diarios do Coque, de Maria Pessoa, produzido para o programa DOCTV; e do também premiadíssimo Praça Walt Disney, de Renata Pinheiro e Sérgio Oliveira. E, talvez o menos conhecido do público, o documentário de 1924, Veneza Americana, de Ugo Falângola e J. Cambieri, um dos primeiros realizados em Pernambuco.

No debate que encerrará a programação, a perspectiva da cidade será tratada desde pontos de vista da comunicação, da organização social e da arte com a presença dos cineastas Marcelo Pedroso e Gabriel Mascaro; Fernando Fontanella, professor da Unicap e Márcia Larangeira, pesquisadora da UFPE. Para quem se interessar, serão vendidas com preço promocional cem cópias do DVD Um lugar ao sol doadas pela produção do documentário para financiar futuras ações do grupo Direitos Urbanos.

A escolha do Cine São Luiz é emblemática. Cinema de rua, em contato com a calçada e o Centro, o São Luiz sofreu com a crise do espaço público em Recife a ponto de passar longo período fechado. Hoje, reaberto, ao mesmo tempo abre espaço e procura seu lugar na dinâmica urbana. Ir ao cinema não significa somente assistir a um filme, é uma experiência coletiva e pode ser uma experiência urbana. O São Luiz, fincado entra a Rua da Aurora e a Conde da Boa Vista, contém a memória da intensidade dessa experiência e flui, como o Capibaribe, a potência do debate atual  sobre o qual nos debruçamos.

Filmes:
Recife MD (Vurto)
Diários do Coque (Maria Pessoa)
Torres Gêmeas (Direção Coletiva)
Menino Aranha (Mariana Lacerda)
Enjaulados (Kleber Mendonça Filho)
Veneza Americana (Ugo Falângola e J. Cambieri)
Praça Walt Disney  (Renata Pinheiro e Sérgio Oliveira )
Recife Frio (Kleber Mendonça Filho)
Velho Recife Novo (Contravento)
Desgovernado (Vurto)
Um lugar ao sol (Gabriel Mascaro)

Horário: 16h às 22h

Preço: R$ 0,00

Local: Cine São Luiz

Cartaz: Henrique Mafra. Texto: Eduardo Amorim.

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