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Ações e mobilização, Artigos

Uma ocupação horizontal

De Chinaman

Nesse domingo acom­pa­nhei pela inter­net a #ocu­pe­es­te­lita, que acon­te­ceu no Recife e mobi­li­zou pes­soas que são con­tra a cons­tru­ção de imen­sos pré­dios na área do cais e, lite­ral­mente, ocu­pa­ram o espaço numa mani­fes­ta­ção pací­fica e cheia de graça.


Resumindo, o papo é esse…mas não escrevo este texto para dis­cu­tir quem está certo ou errado. Quero falar da sen­sa­ção que expe­ri­men­tei no dia de ontem.

Abro a página do Instagran e começo a olhar as fotos que as pes­soas publi­ca­vam dos seus tele­fo­nes durante a #ocu­pe­es­te­lita. Quanta ale­gria, quanta cor! Crianças, pis­ci­ni­nha de bor­ra­cha, pin­tu­ras, bici­cle­tas, bar­cos, música e aquele astral maior do mundo. Passo para o Twitter e leio vários comen­tá­rios assi­na­dos com a hast tag que já usei duas vezes nessa con­versa. Deságuo no Facebook e com­par­ti­lho com o resto do mundo a quan­ti­dade de infor­ma­ções gera­das pela ocu­pa­ção.
Fiquei lem­brando das vezes em que pas­sei pelo cais José Estelita e tive von­tade de parar ali para sen­tir o vento no rosto, para pen­sar na vida, mas nunca tive cora­gem por­que o lugar era com­ple­ta­mente aban­do­nado e sem poli­ci­a­mento.
De que adi­anta ter a pai­sa­gem se eu não posso fazer parte dela?

 

Mesmo acom­pa­nhando a ocu­pa­ção pela inter­net e muito dis­tante, eu me senti lá. Senti o vento no rosto, ouvi (li) as con­ver­sas dos ami­gos, e tive von­tade de lutar pela minha cidade… igual­zi­nho a meni­nada que estava no cais. Um dia inteiro cur­tindo aquele visual, com várias inter­ven­ções artís­ti­cas acon­te­cendo e na maior segu­rança do mundo, que não era a da polí­cia, mas dos pró­prios cida­dãos que cui­da­vam uns dos outros e da cidade. Foi uma forma bonita de dizer: Recife, olha como eu te amo e me pre­o­cupo comigo e com você.

Não vi par­ti­dos polí­ti­cos nem jogos de poder, a única arma­ção que exis­tia era a dos teci­dos que as equi­li­bris­tas subiam e des­ciam na mais per­feita har­mo­nia. As cal­ça­das dos gal­pões cheias de gente, pique­ni­que, arte e diver­são. E não era uma mani­fes­ta­ção res­trita aos mora­do­res do Recife. Nas fotos eu reco­nheci ami­gos de Olinda, Jaboatão… tinha gente até de Caruaru pin­tando cami­sas e fazendo a sua parte. Todos ganha­ram com a ocu­pa­ção, ou melhor, nem todos… mas, pelo menos dessa vez no Recife a mai­o­ria se deu bem.

O cais José Estelita foi de todos nesse domingo e deve­ria con­ti­nuar sendo.
 

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