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DP – Mobilização sem jogo político

Matéria publicada no caderno Viver no dia 08/04/2012

Quando perguntado se o OcupeEstelita pode ser estigmatizado como uma mobilização de classe média preocupada exclusivamente com o urbanismo do eixo Casa Forte-Centro-Boa Viagem, Leonardo Cisneiros, professor de Filosofia do departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal Rural de Pernambuco, é categórico.

“Existe uma tentativa de se fazer essa crítica, mas não acho que ela funciona, até mesmo porque tentar rotular o grupo dessa forma é só uma maneira de se eximir de discutir as questões levantadas. É atacar o mensageiro para não discutir a mensagem. A gente sempre tem enfatizado nas nossas críticas o impacto global na cidade dos dois projetos que chamam mais a nossa atenção no momento – o para o José Estelita e dos viadutos da Agamenon. E que, portanto, eles afetam indistintamente diversas classes sociais. A Rosa e Silva não serve somente à classe média das Graças, mas também aos trabalhadores de Casa Amarela e aos meus estudantes da UFRPE. Deixar de se preocupar com ela é deixar de se preocupar com todas essas pessoas”, defende o professor.

“No caso do Novo Recife”, acrescenta Cisneiros, “temos enfatizado bastante os impactos sociais negativos que eles podem causar sobre as comunidades carentes ao redor, e também uma possível pressão especulativa sobre Brasília Teimosa. Também estamos alertando desde o começo que a pretensa ‘revitalização’ (ênfase nas aspas) do centro, pretendida com esse e outros projetos (como o do porto), pode tomar a forma de uma expulsão de uma comunidade de moradores e usuários de baixa renda dessas áreas. Em todo caso, eu, Leonardo, não posso deixar de notar como é engraçado que a crítica ao movimento como um movimento de classe média venha para defender um projeto de tão alto luxo e um ‘progresso’ que é para tão poucos”.

O professor de filosofia também ressalta o aspecto apartidário do Occupy recifense. “Em primeiro lugar, eu não quero nem arriscar validar a sugestão de uma caracterização do grupo sob um rótulo partidário. Se é verdade que a maioria dali se apresentaria genericamente como de esquerda, no detalhe é difícil colocar a maioria neste ou naquele partido ou tendência partidária. Mais difícil ainda é rotular essa maioria como ‘ex-petista’, até porque existem, no grupo e fora dele, diversos petistas de carteirinha bastante críticos do PT em todas as esferas de governo”, sublinha.

Cisneiros acredita que uma das atratividades dessa forma de mobilização é justamente poder fugir da necessidade de aceitar grandes blocos ideológicos, como na luta partidária. “Em todo caso, o grupo não tem relações diretas com o jogo político institucional que se desenrola nessas eleições. As motivações são múltiplas e podem até inclui-las, mas, no conjunto, esses interesses individuais acabam se diluindo na forma de interesses mais coletivos e ações que não podem ser manipuladas por interesses políticos particulares. Como não tem estatuto, eleições, mandato, a ‘autoridade’ lá depende muito da sintonia com esse grupo de centenas de pessoas e da qualidade das ideias. Se alguém começasse a tentar puxar o grupo para um interesse político específico, ele rapidamente se esvaziaria”, pondera.

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