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Editorial JC – O vazio em torno do cais

Editorial do JC em 06/04/2012

Editorial do JC em 06/04/2012 defendendo o Projeto Novo Recife e criticando os grupos que se opõem

Editorial do Jornal do Commercio no dia 06 de abril de 2012. Gerou um belo debate no grupo, com boas contribuições que serão compiladas em breve numa resposta ponto a ponto.

O vazio em torno do cais

Seguindo os exemplos de outras grandes cidades do mundo – como Barcelona, Buenos Aires, Roterdã, Cidade do Cabo – o Rio de Janeiro está dando andamento ao projeto Porto Maravilha, com que se busca a revitalização da área onde está localizado o seu centenário porto, onde vivem 22 mil pessoas com um dos menores índices de desenvolvimento urbano da cidade. A conclusão do processo de transformação da área – devendo abrigar uma população de 100 mil pessoas – está prevista para 2015. O entendimento é de que o Porto Maravilha é necessário para a inserção de uma área de cinco milhões de metros quadrados no planejamento da cidade.
O que isso tem a ver com o Recife ficou bastante visível na apresentação do projeto de reocupação dos antigos armazéns do Cais José Estelita, no Centro do Recife, uma área praticamente abandonada, servindo de abrigo a uma população favelada. O propósito é construir 12 prédios, criação de praças, ciclovias, bares, restaurantes, quiosques, pista de cooper, abertura e criação de ruas para diminuir o impacto do trânsito na área. Como no Rio e todos os grandes centros urbanos que revitalizaram seus portos, o projeto do Recife tem um caráter estruturador para qualquer plano urbano que se queira fazer para a cidade.
Simplificadamente, a cidade pode ser entendida como um produto do porto. Foi em decorrência das condições naturais para abrigar navios que no século 17 os holandeses escolheram o Recife para se instalar. Foi em função da atividade econômica como a produção do açúcar e o embarque no Porto que a cidade ganhou a feição que preserva ainda hoje na área que inclui o Cais José Estelita. Mas há muito tempo o Porto do Recife não é o mesmo que exigiu as grandes reformas urbanas da segunda década do século passado, o transporte ferroviário há muitos anos deixou de ocupar a área central da cidade, mesmo o transporte coletivo do interior para a capital, por ônibus, saiu das proximidades do Cais para a periferia da cidade, o que significa dizer: a estrutura urbana do Recife em sua área mais central está completamente alterada, mas parece que algumas pessoas ainda não viram isso.
Não viram que a cidade precisa ser repensada e isso exige grandes empreendimentos, como esse que é oferecido para o Cais José Estelita, com repercussão imediata no mercado de trabalho, na qualidade de vida para muitas pessoas que terão oportunidade de se beneficiar com os equipamentos sociais ali instalados, e para toda a cidade, pelo processo de renovação do que está degradado. Não se trata de se interferir em espaços históricos ou deformar algum caráter cultural específico da cidade. Trata-se, sim, de dar a um espaço degradado a possibilidade de inserção em um grande plano urbanístico, para o qual – aí sim – se deveriam voltar todas as atenções, inclusive desses grupos que se colocam contra o projeto do Cais. Honestamente, não dá para entender essa posição contrária à melhoria do Centro da cidade do Recife.


Atendendo a pedidos, o link para a discussão no Facebook sobre o editorial:

 https://www.facebook.com/groups/233491833415070/241963519234568/

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Discussão

7 comentários sobre “Editorial JC – O vazio em torno do cais

  1. ei pessoal, seria legal cruzar o link pros comentários do “direitos urbanos”. Fui atrás no face, pra ler a discussão, mas não encontrei.

    Publicado por Priscila Gonzaga | 9 09UTC abril 09UTC 2012, 14:24
  2. mas né foda? que discurso mais escroto esse! é o cartel das construtoras!

    Publicado por Grilowsky | 9 09UTC abril 09UTC 2012, 18:41
  3. Os movimentos contrários não são contra a melhoria da cidade, eles querem também uma revitalização do cais, mas uma verdadeira revitalização do cais, que preserve todos os armazéns e que destine toda aérea em um espaço social. Porque não se coloca ali um parque? João da Costa fala tanto que quer que Recife seja a nova Manhattan, então ali pode muito bem ser nosso Central Park. E será que ninguém parou para perceber nos efeitos que esse empreendimento vai causar? São 12 torrres de até 40 andares, é praticamente um paredão de prédios que vão prejudicar drasticamente a ventilação da cidade que já é tão quente. E além do mais que vai destruir totalmente a paisagem, os prédios que estão mais afastados, como aqueles que se encontram na Dantas Barretos vão perder a linda paisagem que conseguem avistar de suas janelas. Já não basta a Av. Boa Viagem cheia de prédios que impossibilitam que as ruas mais recuadas do mar recebam o vento e a visão do mar, agora a cidade também? E outra, não sejamos ingênios, o consórcio esta pouco se lixando para o patrimônio cultural material e imaterial da cidade, eles usam essa ideia de revitalização apenas como desculpa para realizar esse empreendimento imobiliário.

    Publicado por marina | 18 18UTC maio 18UTC 2012, 17:50

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