O Dia Mundial sem Carro no Recife vai ganhar um mês inteiro de ações para reflexão e mudanças de atitude.
(Iniciativa dos grupos Cicloação e Bicicletada-Recife)
22 de Setembro é o Dia Mundial sem Carro, mas na capital pernambucana, cidadãos, ativistas e cicloativistas vão dar o exemplo durante todo o mês através de ações de conscientização e diversas mobilizações de engajamento para a população.
O carro já não é apenas um dos maiores emissores de gases tóxicos do planeta, causador de doenças crônicas que afetam pessoas de todas as idades e classes sociais. O carro é hoje também um instrumento que isola, afasta, segrega e torna a as pessoas cada vez mais individualistas e por que não dizer, egoístas.
O automóvel não cabe nas ruas, não há estacionamento que cheguem para dar conta de tantos carros. Então, cabe a sociedade entender que fazer a sua parte é, além de deixar o carro em casa por apenas um dia no ano, cobrar do poder público um transporte público de qualidade, acessível e confortável para todas as classes. Inclusive como forma de aproximar pessoas e diminuir e diferenças.
Cabe a sociedade também mostrar que existem alternativas limpas e viáveis para diminuir o caos no trânsito como é o caso do uso da bicicleta. Só para se ter uma ideia, onde cabe um carro, e geralmente parado no engarrafamento, circulam 6 bicicletas. Um meio de transporte que além de tudo é mais democrático e barato.
Estas são algumas das ações pensadas por pessoas da nossa cidade que, sem vínculos com partidos políticos e sem lideranças, vêm organizando e divulgando mobilizações como as que seguem. Ações estas que podem mudar a atitude e o comportamento de uma sociedade cada vez mais imobilizada e de governantes que deveriam pensar numa cidade para as pessoas e não para os carros.
26.08.2012 – I EBA (ESCOLA BIKE ANJO)
O grupo local do Coletivo Bike Anjo fará uma oficina para ensinar pessoas a partir dos 12 anos, que nunca andaram ou não têm familiaridade com a bicicleta em suas primeiras pedaladas. Pede-se que leve sua bicicleta, ou que compareça para aprender com uma bicicleta cedida pelos voluntários.
Onde: Parque da Jaqueira
Hora: 09h – 12h
info: http://bikeanjorecife.wordpress.com/
01.09.2012 – INVASÃO AO METRÔ
Informar ao cidadão sobre a permissão do uso de bicicletas integrada ao metrô (aos sábados, das 15h às 23h; domingos e feriados nacionais, das 05h às 23h), além de cobrar mais horários de integração e melhor infraestrutura para usuários da bicicleta e do metrô é o objetivo da Invasão, que apesar do nome forte, é uma ação lúdica e reflexiva.
Onde: A combinar
Hora: A partir das 14h30
info: http://youtu.be/K6aZnTR86mk
13.09.2012 – I DESAFIO INTERMODAL RECIFE
Pela primeira vez no Recife, acontecerá o Desafio Intermodal, evento em que é calculado o tempo gasto em diversos modais ao longo de um percurso na cidade. A ideia, além de observar o tempo gasto em cada um dos deslocamentos, é contextualizá-los em relação a critérios como emissão de poluentes, tempo social gasto, pegada ecológica etc.
Onde: Saída do Edifício Garagem do Shopping Boa Vista
Hora: Concentração a partir das 17h
info: http://f.fm.gs/lSZg
15.09.2012 – I CICLOFICINA RECIFE | EDIÇÃO ZONA NORTE
Para quem quer aprender consertos rápidos e dicas de manutencão para a bicicleta, voluntários explicarão os macetes e darão dicas para facilitar a vida de quem pedala.
Onde: Parque da Jaqueira
Hora: A partir das 09h
info:
22.09.2012 – VAGA VIVA E CICLOFAIXA CIDADÃ
No Dia Mundial Sem Carro, acontece mais uma Vaga Viva, com o objetivo de propor uma reflexão sobre o espaço dado ao carro e o espaço concedido ao pedestre nas cidades. Além disso, uma grande ação também está prevista para acontecer: a ciclofaixa cidadã.
Onde: A combinar
Hora: A partir das 06h
info:
Contatos: Fernando Lima: 99484595
Lúcio Flausino: 96267188
Mariana Lyra: 99010751
28.09.2012 – MASSA CRÍTICA (Bicicletada) RECIFE – SETEMBRO
Ciclistas de todo o Grande Recife encontram-se na Praça do Derby para um passeio que tem entre suas principais características a irreverência e a ocupação do espaço público das ruas, além de cobrar respeito ao ciclista que pedala todos os dias nas cidades. Esta ação acontece toda última sexta de todos os meses, em mais de 350 cidades no mundo.
Onde: Saída da Praça do Derby
Hora: Concentração às 18h | Saída às 19h30
info: https://www.facebook.com/groups/160876113986104/
29.09.2012 – CAMINHADA “OLHE PELO RECIFE”
Em sua quarta edição, a caminhada guiada por Franscisco Cunha propõe a contemplacão crítica de pontos históricos e afetivos da cidade do Recife, além de mostrar os efeitos do progresso pela cidade.
Onde: Saída da Praça do Derby
Hora: 08h
info: http://www.observatoriodorecife.org.br/
30.09.2012 – I CICLOFICINA | EDIÇÃO ZONA SUL
Para quem quer aprender consertos rápidos e dicas de manutencão para a bicicleta, voluntários explicarão os macetes e darão dicas para facilitar a vida de quem pedala.
Onde: Parque Dona Lindu
Hora: A partir das 09h
info:
Na próxima terça-feira (15), o Observatório do Recife (ODR) lançará o Programa Cidades Sustentáveis na capital pernambucana. Todos os partidos políticos, e seus respectivos pré-candidatos à Prefeitura, foram convidados para participar do evento e conhecer o projeto, que propõe a assinatura de uma sua carta compromisso. O lançamento acontece a partir das 19h, na sede da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PE), é aberto ao público e todos os eleitores estão convidados.
De acordo com a integrante do núcleo executivo do ODR, Sicionia Costa, o Programa Cidades Sustentáveis funciona como uma importante ferramenta para os candidatos às Prefeituras das cidades brasileiras. “O lançamento vai informar os candidatos sobre os eixos de atuação e as vantagens de se estar alinhado com uma política de gestão urbana mais participativa”, completa.
O Programa Cidades Sustentáveis faz parte de um programa nacional voltado para o compromisso com a formação de cidades ambientalmente equilibradas e economicamente viáveis, por isso todos os partidos foram convocados. Será sugerida a assinatura de uma carta compromisso, onde os candidatos concordam em produzir um diagnóstico da cidade e um plano de metas, que deve ser divulgado em até 90 dias após a posse do prefeito eleito.
Os candidatos que aderirem ao programa estarão declarando a sua disposição em promover ainda mais a participação da sociedade civil nas ações de governo, prestando contas regularmente das ações desenvolvidas e dos progressos alcançados. “Nós acreditamos que a assinatura da carta compromisso será um divisor de águas, pois o eleitor pode ficar sabendo qual candidato aderiu ao programa se comprometendo com uma plataforma de governo muito mais transparente e participativa”, afirma Sicionia.
O Programa Cidades Sustentáveis, lançado nacionalmente em agosto de 2011, entra na fase de consolidar as adesões em várias cidades brasileiras. A primeira intenção dessa agenda é mostrar o programa como uma ferramenta de gestão pública, explicando melhor os seus princípios aos candidatos. Depois a ideia é mostrar os resultados para a sociedade civil organizada, para que esta o use como um aliado no processo de construção de uma cidade mais sustentável.
Serviço:
O que: Lançamento do Programa Cidades Sustentáveis no Recife
Quando: 15 de maio, a partir das 19h
Onde: Sede da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PE). Rua do Imperador Pedro II, nº 235, Bairro de Santo Antônio.
O Laboratório de Estudos sobre Espaço, Cultura e Política (LECgeo-UFPE) junto com a Associação dos Geógrafos Brasileiros seção Recife (AGB-Recife) convida a todos para mais uma sessão do Cineclube LECgeo, onde debateremos os filmes Projeto Torres Gêmeas, Recife MD e Velho Recife Novo.
[projetotorresgemeas]
(19 minutos, 2011, direção coletiva).
O [projetotorresgemeas] é fruto de várias discussões que vêm sendo realizadas sistematicamente há aproximadamente 2 anos. Ele nasce da vontade de algumas pessoas ligadas ao meio audiovisual pernambucano de falar do Recife e de suas relações de poder a partir do projeto urbano que vem sendo desenvolvido na cidade.
A ideia consistiu da realização de um filme coletivo, feito a partir de vários olhares sobre a cidade, aberto a qualquer pessoa que desejasse participar, independentemente de experiências prévias com o audiovisual ou outros meios artísticos.
Recife MD
(4 minutos, 2011, direção: VURTO)
A partir de entrevista com representante de importante construtora recifense, o curta-metragem empreende ensaio visual sobre uma cidade cujo desenvolvimento urbano parece inteiramente regido por diretrizes do mercado imobiliário.
Velho Recife Novo
(16 minutos, 2012, direção: Luís Henrique Leal, Caio Zatti, Cristiano Borba e Lívia Nóbrega)
Oito especialistas de diversas áreas (arquitetura e urbanismo, economia, engenharia, geografia, história e sociologia) opinam sobre a noção de espaço público na cidade do Recife e destacam temas como: a história do espaço público na cidade, o efeito dos projetos de grande impacto no espaço urbano, modos de morar recifense, a relação entre a rua e os edifícios, a qualidade dos espaços públicos, legislação urbana, gestão e políticas públicas e mobilidade.
Debatedores: Jan Bitoun (DCG-UFPE), Norma Lacerda (MDU-UFPE).
Data: 17/05/2012, a partir das 14hs.
Local: Auditório Manuel Correia de Andrade, 3º andar do CFCH-UFPE.
Entrada Franca.
No domingo, dia 22 de abril de 2012, aconteceu uma reunião em que integrantes do direitos urbanos e professores do curso de arquitetura e urbanismo da UFPE apresentaram sua avaliação sobre o projeto Novo Recife para a promotora Belize Câmara e estudaram as possibilidades de ação daqui pra frente.
Esta não foi uma reunião oficial do Ministério Público. Foi um encontro entre pessoas interessadas nos rumos da cidade num momento importante como este.
Dentre os participantes será destacada uma comissão para acompanhamento do projeto e para encaminhamento das ações previstas. Esta comissão é independente do Grupo Direitos Urbanos, age em paralelo, embora conte com integrantes do grupo: Clara Moreira, Cristina Gouvêa, Leonardo Cisneiros, Ney Dantas e Rebeca Vieira de Melo.
Foi importante a abordagem de Norma Lacerda, que reforça o olhar não só em direção ao Novo Recife, mas às transformações profundas que precisam acontecer no processo de feitura da cidade e nos papéis dos interesses do grande capital privado, do estado e da coletividade nesse processo. As distorções hoje são muitas e são elas que permitem que um projeto como esse aconteça nos termos em que temos visto, com o poder público atuando como agência viabilizadora da movimentação do capital privado na cidade.
Em relação ao projeto, primeira questão foi definir se esta comissão agiria pela anulação do Projeto Novo Recife ou pelo seu ajuste a diretrizes urbanísticas mais adequadas. Decidiu-se pela segunda opção, levando em conta o estágio do processo, e concentrando esforços onde há chances mais efetivas de sucesso. Isso não exclui o estudo das possibilidades de indeferimento completo do projeto, mas este não será o foco desta comissão.
- O desenho urbano do Novo Recife foi analisado segundo as informações que estão disponíveis (serão tomadas as providências para acesso ao processo completo em tramitação na prefeitura). Com o que se sabe até agora, o projeto foi considerado totalmente inadequado, com os argumentos principais da falta de integração, corte significativo na paisagem histórica, cultural e social do centro da cidade e pela falta de cotrapartidas sociais, ambientais e urbanas;
- Levantou-se a lista de instâncias pelas quais o projeto deve passar até ser aprovado para verificar se o processo está sendo conduzido corretamente;
- Levantou-se a argumentação que sustenta a necessidade de tratar aquela área como projeto especial (diante do potencial de impacto urbano), submetido ao planejamento urbano da cidade e não como um empreendimento comum, o que invalidaria a análise que hoje está sendo conduzida pela prefeitura;
- Estudaram-se as questões legais relativas à proteção do patrimônio histórico e do meio ambiente;
- Apontou-se a desatualização da lei de uso do solo e outras regulamentações que estão orientando a análise do projeto pela prefeitura em relação ao plano diretor de 2008 e ao estatudo da cidade. Estudaram-se as maneiras de ajustar esta desatualização ainda na análise deste projeto. Mas é muito importante que entre na pauta das mobilizações em favor da cidade a exigência da regulamentação urgente do Plano Diretor, que já deveria estar cumprida desde 2010.
- Projeto alternativo: uma das principais frentes de ação da comissão que se formou nesta reunião será a de exigir do poder público a proposta de um projeto especial para a área, que preveja sua integração ao centro da cidade nos dois cenários possíveis (manutenção do funcionamento da linha férrea ou não). Este plano urbanístico tem raio de ação mais amplo do que o terrreno comprado pelas construtoras e deve condicionar a atuação do consórcio na implantação do empreendimento. A comissão não desenvolverá este plano, pois esta é uma atribuição dos órgãos públicos, mas estabelecerá com base no Estatuto das Cidades, no Plano Diretor e na análise dos projetos já desenvolvidos para o Cais, algumas diretrizes principais que devem ser adotadas, tais como: controle de gabarito em função da proteção da paisagem, da memória e da identidade do bairro, controle de densidade em função da redução de impacto ambiental (principalmente sobre os recursos hídricos) e de vizinhança (principalmente sobre a mobilidade), integração do sistema viário e do sistema de transporte público ao sistema existente, continuidade do comércio popular do bairro de São José, contrapartidas sociais em favor das zonas especiais de interesse social e das áreas pobres do entorno (como brasília teimosa, coque e coelhos) , integração da frente d’água à cidade e tratamento das áreas públicas para uso coletivo e democrático, etc.
- Mitigação e compensação x contrapartida: da forma como está sendo conduzida a análise do processo, a prefeitura trabalha na base de mitigações e compensações aos danos causados pelo projeto. A conta nunca fecha, ou, na melhor das hipóteses, zera. O empreendimento causa um dano e o poder público exige que ele seja minimizado, para garantir que a cidade perca pouco com isso. Quando o que deveria estar sendo feito é a definição de diretrizes urbanas para aquela área, de objetivos, e em função do impacto do empreendimento e do ganho privado que a exploração de área urbana desta categoria representa, exigência de contrapartidas urbanas, de ações que atendam estes objetivos e diretrizes, que estimulem a cidade a ser mais ela mesma, mais inteira, mais democrática e não de mitigações que permitam que uma intervenção violenta, alheia e definitiva se instale na cidade mediante amenizações, remendos pontuais.
Cristina Gouvêa,
25 de abril de 2012.
Na próxima terça-feira, 24 de abril, a partir das 19h, o Teatro Hermilo Borba Filho (Cais do Apolo, S/N, Bairro do Recife ou Rua do Apolo, 121, Bairro do Recife), vai receber a terceira edição do evento Porto Desembarca em Santo Amaro, cujo tema desta vez será “Perspectivas urbanísticas e de mobilidade para os Bairros do Recife e Santo Amaro após a expansão do Porto Digital”. As vagas são limitadas. Faça aqui a sua inscrição.
Vão participar do encontro Francisco Saboya, presidente do Porto Digital, que abrirá oficialmente o evento, Milton Botler, presidente do Instituto Pelópidas Silveira, Zeca Brandão, coordenador do Núcleo Técnico de Operações Urbanas do Governo de Pernambuco (NTOU/PE), Ângelo Leite, presidente da Serttel, Marcello Gomes, representante da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário (ADEMI-PE), e Leonardo Guimarães, diretor Executivo do Porto Digital.
A programação do evento será composta por discussões sobre os impactos da atividade portuária, requalificação e acessibilidade no Bairro do Recife, as alternativas para a mobilidade e sustentabilidade urbana na região do Porto Digital e oferta imobiliária, entre outros assuntos relativos à urbanização do Recife.
O ambiente do Teatro Hermilo Borba Filho será personalizado com uma exposição exclusiva do artista plástico Jacaré, feita com bicicletas e materiais recicláveis, que vão inserir os visitantes na temática do evento. Além disso, projeções de imagens do artista Marcelo Lyra sobre a mobilidade ao redor do mundo estarão à mostra no pátio do teatro.
Após o debate, os participantes poderão aproveitar um coquetel de confraternização, chefiado pelo buffet Medialuna. Tudo ao som do MJ Marx, de Recife. A empresa Proa, embarcada no Porto Digital, assina a idealização e produção do projeto Porto Desembarca em Santo Amaro.
Porto Desembarca em Santo Amaro – No final de 2011, a Prefeitura do Recife sancionou a Lei Municipal 17.762/2011, que beneficia empresas de TIC e Economia Criativa instaladas na região do Porto Digital com redução de ISS e amplia o território do parque tecnológico para o bairro de Santo Amaro, no Quadrilátero da Rua da Aurora.
Por este motivo, foi idealizada uma série de eventos com o objetivo de inserir os empresários de TIC e de Economia Criativa, bem como a sociedade civil, na discussão sobre os novos rumos e oportunidades de negócios que surgirão após a ampliação territorial e de atividades do Porto Digital. Os dois encontros anteriores reuniram cerca de 300 pessoas, no Espaço Muda, localizado no Bairro de Santo Amaro.
Seguindo nas divulgações: sexta-feira, 27 de abril, tem bicicletada!
Em mais de 350 cidades no mundo inteiro, e há 3 anos em Recife, a Bicicletada (Massa Crítica) acontece na última sexta-feira do mês. Vamos todos celebrar a bicicleta, assim como pedir mais infraestrutura para o ciclista e mais respeito no trânsito.
Saímos da praça do Derby as 19h30, com concentração a partir das 18h30.
Alguns detalhes importantes:
- A Bicicletada não tem líderes
- O percurso decidimos na hora, votando as sugestões dadas por qualquer um de nós;
- Equipamentos de segurança são recomendados, mas não obrigatórios;
- Enfeite sua bicicleta, traga sua camisa com um desenho ou mensagem pró-bici!
- Comece participando antes mesmo da bicicletada: imprima cartazes, distribua panfletos, compartilhe o evento no Facebook, chame amigos, colegas de trabalho;
- O percurso não é longo e não é corrido. O objetivo é fazer uma grande confraternização de ciclistas, ocupando nosso espaço na rua, que nos é de direito;
- Vamos evitar qualquer tipo de confronto com pedestres, motoristas ou outros ciclistas. No fim das contas, o que queremos é UM TRÂNSITO MAIS HUMANO!
*Texto do evento do facebook
O Ministério Público Federal (MPF) realizará, no final de abril, consulta pública em 21 capitais do país. O evento quer reunir cidadãos e representantes da sociedade civil, de entidades públicas e privadas ou de organizações não-governamentais para identificar temas importantes em que o MPF deve atuar. No Recife, a consulta ocorrerá no auditório da Procuradoria da República em Pernambuco (PRPE), no dia 24 de abril, das 14h às 18h.
As inscrições podem ser feitas no site da Procuradoria Geral da República. Participe!
Temas - Qualquer pessoa pode encaminhar propostas de melhoria para o trabalho do MPF ou perguntas que gostaria que fossem respondidas durante a consulta pública. Entre os temas, estão cidadania, acompanhamento de políticas públicas, cumprimento das leis, combate à corrupção e ao crime organizado, direitos do consumidor e ordem econômica, proteção ao meio ambiente, defesa dos patrimônios cultural, público e social, e garantia dos direitos das populações indígenas, de comunidades tradicionais e de outras minorias.
Serviço:
Consulta Pública do MPF
Data: 24 de abril, das 14h às 18h
Inscrições no link: http://www.pgr.mpf.gov.br/consulta-publica
Local: Auditório da Procuradoria da República em Pernambuco – Av. Agamenon Magalhães, 1800, Espinheiro – Recife/PE.
Inscrições: http://www.pgr.mpf.gov.br ou http://www.prpe.mpf.gov.br
Mais informações pelo fone (81) 2125-7348
Assessoria de Comunicação Social
Procuradoria da República em Pernambuco
(81) 2125-7348
ascom@prpe.mpf.gov.br
http://www.twitter.com/mpf_pe
disponível em: http://www.prpe.mpf.gov.br/internet/Ascom/Noticias/2012/MPF-abre-inscricoes-para-consulta-publica-nacional
COMISSÃO DE MOBILIDADE REALIZA AUDIÊNCIA PÚBLICA>>
Para ouvir sugestões e propostas da sociedade, a Comissão Especial de Mobilidade Urbana do Recife realizou audiência pública com taxistas e empresário do setor – a primeira de seis que estão previstas com os segmentos de mobilidade – na manhã desta sexta-feira, 16, no plenarinho da Câmara Municipal do Recife. O presidente do Sindicato dos Taxistas de Pernambuco, Everaldo Menezes, apresentou um documento com oito propostas de melhorias no sistema de táxi. “Essas alternativas estão sendo estudadas com participação de parceiros e o tema é de extremo interesse da categoria. Estaremos sempre buscando ideias que contribuam para uma melhor qualidade no deslocamento dos cidadãos que aqui vivem”, afirmou.
AUDIÊNCIA DISCUTE ACESSIBILIDADE E LEI DAS CALÇADAS>>
Dando sequência à série de debates junto à população para a construção do Plano Municipal de Transporte e Mobilidade, a Comissão de Mobilidade Urbana, presidida pelo vereador Gilberto Alves (PTN), realizou Audiência Pública nesta sexta (13), no Plenarinho. O tema foi acessibildade e um dos pontos mais discutidos foram as calçadas.
As audiências tem sido um espaço importante de posicionamento diante do poder público e articulação com outros grupos e pessoas. Desde o início desse mês uma série de audiências para discutir o Plano Municipal de Mobilidade Urbana estão sendo realizadas. Participe, compareça!
Audiência Publica – Tema: As Condições das moradias e a indenização dos moradores pela construção da via Mangue das Comunidades: Deus nos Acuda; Pantanal e Beira Rio.
19/04/2012, das 09:30 até 12:00, no Plenarinho da Câmara do Recife
Audiência Publica – Tema: “Transporte Fluvial”.
20/04/2012, das 09:00 até 13:00, no Plenarinho da Câmara do Recife
Audiência Pública – Tema: “Reordenamento do Trânsito no entorno dos Mercados Públicos da Madalena e da Boa Vista
25/04/2012, das 09:00 até 13:00, no Plenarinho da Câmara do Recife
Audiência Publica – Tema: “Transporte Coletivo”.
27/04/2012, das 09:00 até 13:00, no Plenarinho da Câmara do Recife
Audiência Publica – Tema: “Ciclovia/Moto/Carga e Descarga”.
03/05/2012, das 09:00 até 13:00, no Plenarinho da Câmara do Recife
por Marília Cireno
Foi principalmente depois de ler algumas críticas ao movimento #ocupeestelita que resolvi emitir uma breve opinião. Esse lance de ser contra o progresso, de querer que o cais continue abandonado e de que os participantes do protesto não podem morar em prédio nem ter iphone, na minha opinião, é a mesma coisa que justificar o embargo norte-americano a Cuba em pleno século 21 dizendo que os cubanos são terroristas e têm mísseis apontados pra Miami. Isso não tem nada a ver com a história do Cais, mas vale pra ilustrar como uma opinião pode ser sustentada em argumentos fracos, contraditórios e cheios de preconceito, isso acontece muitas vezes sem que o próprio interlocutor perceba (isso muitas vezes caracteriza a alienação).
Como é domingo, quase meia-noite, e amanhã jajá chega com seus horários e compromissos de segunda-feira, vou me limitar a focar nos argumentos que citei acima e considero fracos e contraditórios.
1. Contra o progresso - Não sei de onde tiraram esse absurdo. Ser contra um empreendimento particular ou uma determinada postura de intervenção urbana não tem nada a ver com o progresso de uma cidade ou região. A questão é acordar para a realidade de que um progresso responsável, dinâmico e integrador pode ser muito mais benéfico para a cidade, principalmente a médio e longo prazo, do que um progresso baseado em exploração máxima do potencial imobiliário. Quem disse que torres altas são sinônimo de progresso? Torres de edifícios podem existir sim na cidade, mas em determinados locais elas simplesmente não preenchem a vocação do lugar. Ok, Nova Iorque é legal, mas não é de jeito nenhum um exemplo de cidade humanizada e saudável, mas, sim, a babilônia do consumismo e da artificialidade (a cidade nasceu como uma região de parques temáticos em Coney Island, mais fake impossível). Sem contar que Recife nunca será Manhattan, a não ser que passem um trator em cima de tudo e recomecem do zero, seguindo a cartilha de malha urbana ortogonal, com quadras gigantes, vias largas, metrô à vontade pra aproveitar a dimensão subterrânea, um projeto de ampliação do parque da Jaqueira deixando-o com 341 hectares precisamente… Não vou nem continuar, já deu, né? Enfim, tudo isso pra dizer que progresso é legal e a gente gosta, mas não de qualquer jeito, é lógico.
2. Deixa o Cais abandonado – Ninguém é ignorante ao ponto de querer deixar o Cais abandonado e fadado a virar ruína. E foi exatamente daí que surgiu o nome do movimento: #ocupeestelita. Se fosse pra defender o abandono, o movimento seria #deixemestelitaempaz. O fato é que a área em questão já vem sendo discutida há anos. Dentro da universidade, tive a oportunidade de conhecer vários projetos acadêmicos que tratavam do local, mas o poder público nunca deu sinal do que iria acontecer ali. O movimento podia sim ter surgido antes, mas isso não aconteceu, e nem por isso não é legítimo. Foi preciso o anúncio do Projeto Novo Recife pras pessoas sentirem que se não se apropriarem do espaço podem perdê-lo. O Cais José Estelita é uma área que representa a nossa cidade, é um patrimônio histórico, cultural, arquitetônico, ferroviário… Ninguém quer vê-lo abandonado, mas também não precisa criar nenhum Frankstein Arquitetônico à la Dubai. O discursodos incorporadores é até bonito, romântico… Olha só, vai ter pista de cooper, ciclovia, parque, área verde (só não disseram se o verde vai ser grama sintética como já vi em muito prédio por aí da própria MD). O que incomoda muita gente, como eu, é o simples fato de que não é esta a realidade práticaque eles próprios vêm construindo na nossa cidade, eles simplesmente sabem vender seus projetos, e é o que estão fazendo agora. As famigeradas Torres Gêmeas falam por si. As imponentes e vigiadas torres que vêm crescendo em toda a cidade não têm vida, não têm permeabilidade, não oferecematrativos e dinamicidade que permitam a apropriação pública. É assim em 100% dos casos. Sem contar na sobrecarga que sofrem os sistemas infra-estruturais de mobilidade e esgotamento sanitário, que não previam essa intensidade de utilização quando foram projetados. Por que acreditar que agora eles serão tão bonzinhos? É aquela velha história do arquiteto que projeta um banco na calçada – quem disse que alguém vai sentar ali? Mas, se houver uma demanda de pessoas que passam por ali e vislumbram algum interesse ou atrativo que as façam parar um instante, até no meio-fio elas podem se sentar, ou seja, é aí que o banco deve entrar. Poderia ser uma estátua, um chafariz, um posto de gasolina, mas, neste caso, a vocação do lugar pede um bendito banco, obrigado.
3. Tem que morar em casa e ter um celular sem câmera (de preferência nem ter celular) - Um certo grupo de pessoas que compartilha uma certa opinião resolve se reunir num local emblemático para a causa, com o intuito de mostrar força, formar uma massa crítica, conversar sobre a cidade e experimentar as possibilidades de uso do espaço urbano. Maravilha. Pra isso não precisa pertencer a nenhuma classe social específica. Vi muita gente classe média sim no #ocupeestelita, mas a maioria era consciente, disposta a discutir, interessada no futuro da cidade. Alguns podem até ter ido só pra dar um passeio, jogar conversa fora… E isso é ótimo! Foi um domingo de sol perfeito pra isso também. Quanto à morar em casa… Infelizmente essa é uma realidade cada vez mais rara na nossa cidade. Primeiro porque as casas estão sendo exterminadas(por quem mesmo?) e as poucas que restam custam um dinheiro absurdo (afinal, possuem um potencial econômico altíssimo já que podem virar megalojas, clínicas ou prédio$). Fora a violência urbana, que é fortemente ligada com a falta de apropriação dos espaços públicos, que leva às construções a se isolarem e hostilizarem as ruas, que desestimula a apropriação dos espaços públicos, que aumenta a violência urbana, e por aí vai. Tenho certeza que muita gente moraria em casa, se pudesse pagar e se não tivesse medo da violência.
Pra finalizar, vejo o movimento pelos Direitos Urbanos no Recife e o próprio #ocupeestelita como um momento precioso de conscientização e discussão dos problemas e potenciais da nossa cidade. Isto num momento de comodismo, desmobilização, desinformação e supervalorização do individualismo é algo muito positivo e que deve ser louvado. Vida longa ao #ocupeestelita, tomara que aconteça todo domingo.
Audiência Pública sobre o Projeto “Novo Recife”, na Câmara de Vereadores
Para mais vídeos, visitar a página do projeto:
Vurto
(s.m.) do popular vurtar-se, ato ou efeito sobrenatural de aparecer e desaparecer rapidamente
No último dia 30 de março, o MP-PE realizou uma audiência pública a respeito dos viadutos planejados para a Agamenon Magalhães. (Notícia no JC, notícia no DP) Leonardo Cisneiros fez para o grupo o seguinte resumo/comentário sobre o que foi discutido lá.
Link para o outro resumo, feito por Cristina Gouvêa: http://direitosurbanos.wordpress.com/2012/04/03/resumo-comentario-da-audiencia-sobre-os-viadutos-i/
No último dia 30 de março, o Ministério Público de Pernambuco realizou uma audiência pública no auditório do Banco Central, em Recife, a respeito dos viadutos planejados para a Agamenon Magalhães. (Notícia no JC, notícia no DP) Cristina Gouvêa fez para o grupo o seguinte resumo/comentário sobre o que foi discutido lá.
P
essoal, muita gente pedindo notícias da audiência, coloco aqui alguns comentários. desculpem se não ficar claro para quem não estava lá, mas tem outras pessoas contando também e logo o pessoal deve divulgar algo do que foi gravado também. vale dizer que o discurso sobre restrição do transporte particular e ênfase no público está incorporado por todos, inclusive o governo, agora na prática a coisa volta prá tras. aqui os pontos que ressalto:
um outro comentário mais específico: é muito diferente o contexto urbano no trecho da ilha do leite e no derby. ILHA DO LEITE: grandes lotes que permitem grandes recuos, grandes equipamentos de saúde, verticalização, comunidades populares que precisam de atenção e infra-estrutura não só viária, chegada do viaduto joana bezerra; congestionamento gerado principalmente pelo fluxo de escala metropolitana nas radiais; DERBY: lotes menores, uso mais intenso da calçada com pequenos serviços de natureza diversificada, fluxo maior e mais disperso de pedestres no sentido transversal. daí que fico achando possível considerar a possibilidade de travessia em desnível (viaduto ou túnel na ilha do leite), quando no derby isso descarta muito mais imediatamente.
Link para o post original no grupo e a discussão: https://www.facebook.com/groups/233491833415070/238142412950012/
Belize Câmara (Promotora de Meio Ambiente do Ministério Público de Pernambuco) – (o comecinho da fala dela não foi gravado por mim) A lei hoje prevê a gestão compartilhada do planejamento urbano da cidade, então todos nós podemos interferir nos destinos da cidade (aplausos). A princípio eu gostaria de adiantar que o Ministério Público como órgão protetor da sociedade, dos interesses da coletividade comunga e ratifica totalmente, integralmente, a posição do Professor Tomás Lapa (aplausos efusivos). E como eu costumo dizer o Ministério Público pode algo, mas sem vocês a gente pode menos ainda. Então assim, nestas questões a gente sabe que quem diz a última palavra é o judiciário, e o judiciário permitiu as “Torres Gêmeas” no centro do Recife, e aí a gente se pergunta “queremos 13 torres daquela?” (resposta em coro “NÃO!”). Bom, eu vou passar também à análise dos aspectos técnicos da legislação que é importante. A gente não pode ficar só em opiniões subjetivas e aí cada um tem a sua. Os interesses são diversos, tem interesse financeiro, tem interesse da sociedade, enfim, que se contrapõem a todo momento.
Eu queria ler o artigo 226 da constituição federal pra que a gente tenha em mente o que é que ela diz sobre o meio ambiente: “Todos, todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações” (aplausos efusivos). Será que a constituição tem que ser uma letra morta? Como diz Renato Russo “ninguém respeita a constituição mas todos querem o progresso da Nação”. Será que não tá na hora de fazer valer o que tem na constituição? Bom, eu queria antes ressaltar também que o Meio Ambiente não abrange somente mata ou bens naturalísticos, mas também todos os bens materiais e imateriais, artificiais e culturais que nos cercam e condicionam a nossa existência (aplausos). Bom, em relação à política urbana, o Estatuto da Cidade tem um novo contorno e previu a gestão compartilhada dos projetos urbanos e a própria constituição prevê a função social da propriedade. É importante ressaltar aqui que a propriedade não é direito absoluto e ilimitado porque (aplausos) eu já ouvi opiniões “Ah, comprou o terreno então faz o que quiser!”. Nada disso, a propriedade está condicionada à função social, ou seja, a gestão democrática e compartilhada com a sociedade e à fruição num terreno como esse, por exemplo, que é muito nobre, à fruição de toda a coletividade. Do ponto de vista da discussão do Projeto em si eu acharia conveniente dividir, fazer um corte (nesse momento o microfone falha e há um burburinho no Plenarinho. Algumas pessoas brincam “censura”). Em primeiro lugar a existência de “ófices” (não entendi essa palavra) à construção, porque não ficou claro nem pra mim nem pra… E só complementando, existe um procedimento na promotoria de Meio Ambiente sobre esse assunto tramitando desde 2008. É uma questão, às vezes não é passada para a sociedade mas o Ministério Público tá acompanhando todos esses projetos. Via Mangue tem compromisso firmado com o Ministério Público, a construção a gente tem que fiscalizar.
Enfim existe esse procedimento em trâmite na promotoria desde 2008 e a questão deve ser enfocada sobre dois aspectos. Primeiro: a existência de tombamento na área, qual a extensão desse tombamento, porque não ficou claro aqui “o projeto vai d’aonde até aonde, aqui é tombado, aqui não é!”. Isso tem que ficar muito claro para a sociedade. E independente do tombamento, se for reconhecido o valor histórico-cultural ao Patrimônio Ferroviário Nacional, ele merece sim ser protegido independentemente de tombamento. E existem ações para essa proteção. Em relação a essa questão do tombamento, há nos autos um pronunciamento da Fundarpe dizendo que fez o Edital em 2001 de tombamento e depois fez um edital substitutivo em 2006 tombando todo o patrimônio ferroviário do estado. E aí a gente tem que ver qual a aera desse tombamento, qual a área do projeto que é posto aqui. E se for permitida a construção diante da proteção do patrimônio histórico. Porque a gente pode firmar o posicionamento de que não pode construir em determinada área e se puder ser construído (aplausos) qual o formato desse empreendimento. Foi formada uma comissão em Brasília para discutir sobre esse patrimônio ferroviário nacional, só que o Ministério Público aqui, e acredito endossando a opinião de toda a sociedade, não deseja que a decisão final do IPHAN venha de Brasília (aplausos), mas que venha daqui, do IPHAN daqui, dos técnicos daqui, que sabem valorizar a identidade e o patrimônio, o nosso patrimônio. Porque a gente sabe que às vezes essas decisões vindas de Brasília para a nossa cidade, imposta de cima pra baixo, não levam em consideração muitas vezes aspectos técnicos e o sentimento da sociedade (aplausos) em relação àquele patrimônio. Então fica aqui a mensagem do Ministério Público para que o IPHAN de Pernambuco se pronuncie, e que não seja imposta uma decisão que venha de Brasília simplesmente com caráter político, eminentemente político, e não técnico e de acordo com os anseios da população do Recife e dos que aqui vivem (aplausos).
Aí a gente passa pra a segunda etapa: vamos supor que, não é o que o Ministério Público quer e acredito que grande parcela da sociedade quer, que se conclua que o empreendimento não irá se realizar em área de patrimônio histórico, então ele vai ser em tese permitido. E aí a gente tem vários questionamentos: que espécie de empreendimento é compatível com aquela área? Qual o empreendimento que a sociedade deseja naquela área? Porque como eu falei a propriedade não é direito absoluto de ninguém não. Quais os impactos que a edificação trará à cidade? Quais os contornos legais desse empreendimento? Bom, em relação à exigências legais: toda atividade potencialmente poluidora está sujeita ao licenciamento ambiental, nesse caso, o projeto sequer foi aprovado. Em ele sendo aprovado ele vai ter que ser submetido ao licenciamento que é dividido em licença prévia, licença de instalação e licença de operação. Então, se não existe o projeto aprovado não tem também licença. Agora é importante que, como eu disse, caso seja a construção, depois de toda essa análise do patrimônio histórico, seja permitida e qual área seja permitida, tem que se levar em conta o quê? A necessidade inarredável de Estudo de Impacto Ambiental (aplausos), de Impacto de Vizinhança e de Trânsito e Transporte do local. Isso aí o Ministério Público não irá prescindir, e só vai haver construção sem esses requisitos se o judiciário assim permitir. Se a questão chegar ao nível de judiciário, porque a gente pode como cidadão e numa democracia, pode discutir isso e chegar conforme todos os esforços à realidade dos estudos. Ah, só em relação ao pavimento do EIA-RIMA no caso, a constituição prevê no artigo 225, parágrafo primeiro, inciso 4°: incube ao poder público exigir na forma da lei para a instalação de obra ou atividade potencialmente causadora de significativa degradação do Meio Ambiente estudo prévio de impacto ambiental, a que se dará publicidade. O EIA-RIMA quando cabível deverá ser feito anteriormente à licença prévia, ou seja, o próprio processo de licenciamento deve ser precedido do EIA-RIMA, que é o estudo de impacto ambiental em relação aos impactos ambientais. E há uma resolução do CONAMA que elenca as hipóteses em que esse estudo é obrigatório, agora, adiantando somente que esse resolução prevê um número não exaustivo, ou seja, dá exemplos de atividades em que é cabível o EIA-RIMA como, por exemplo, ferrovias, portos e terminais de minério, oleodutos, aeroportos. E interessante que esse resolução prevê no inciso 5° a hipótese de projetos urbanísticos acima de 100 hectares, no caso aqui são 101 mil metros², passe de… Projetos urbanísticos acima de 100 hectares ou em áreas consideradas de relevante interesse ambiental a critério da SEMA, que é a Secretaria de Meio Ambiente, e dos órgão municipais e estaduais competentes. Então há uma previsão específica que exige o estudo de impacto ambiental, e mesmo que não houvesse o “rol’ não é taxativo, ou seja, a sociedade poderia exigir. E é importante vocês saberem que no processo de licenciamento a resolução do CONAMA prevê também que a possibilidade de audiência pública, o requerimento formulado pelo Ministério Público ou 50 ?… E se esse pedido for negado cabe a invalidação do licenciamento (aplausos). Então às vezes a população não sabe o poder que tem. E essa necessidade de estudo de impacto ambiental eu não to inventando não, além de tá na resolução do CONAMA os próprios órgãos já se posicionaram assim no procedimento, tem aqui posicionamento dos órgãos técnicos que independentemente da metragem, devido aos grandes impactos que o empreendimento possa causar, e isso eu to falando caso seja inevitável a construção do empreendimento, porque o Ministério Público já se posiciona de antemão pela reprovação desse projeto (aplausos). E como eu já falei, estudo do impacto de vizinhança e estudo do trânsito e do transporte.
Também merece ser destacada aqui uma questão importantíssima que eu acho que eu acho que não foi ventilada. A lei de uso e ocupação do solo prevê o parcelamento urbano e quando ela prevê o parcelamento urbano ela prevê duas hipóteses, duas espécies de parcelamento: o loteamento e o desmembramento. Eu vou ler para ser fiel às palavras da lei o que é um loteamento e o que é um desmembramento. Considera-se loteamento a subdivisão de glebas em lotes destinados à edificação com a abertura de novas vias de circulação, de logradouros públicos ou prolongamento, modificação ou ampliação das vias existentes. Já o desmembramento é a subdivisão de glebas em lotes destinados à edificação com aproveitamento do sistema viário existente desde que não implique na abertura de novas vias e logradouros públicos nem no prolongamento, modificação ou ampliação das vias já existentes. Trocando em miúdos, no loteamento existe mais ingerência do poder público pra exigir praças, equipamentos urbanos, vias de circulação acessíveis a toda a população enquanto no desmembramento isso não acontece com essa intensidade. Então a gente quer saber também do projeto se se trata de um loteamento ou de um desmembramento, e isso tem consequências legais importantes. Bom, por fim cabe ponderar e pra a cidade refletir se deseja 13 torres com 40 andares (em coro “não!) naquele local. Porque assim, aí eu vou dizer uma opinião pessoal minha: toda vez que eu olho pra aquelas torres da Moura Dubeux eu sinto uma dor (aplausos). Eu acho que distoa, isso é uma opinião pessoal minha. E o ministério público ajuizou ação pra impedir aquela construção, mas o judiciária infelizmente deu a última palavra, o Tribunal Regional Federal. E hoje o problema é que ninguém derruba uma obra já feita. Muitas vezes o construtor, não estou falando de construtor A, B ou C, mas de forma irresponsável demole ou constrói e “não, vamo esperar porque quando ficar pronta ninguém derruba mesmo não” A gente quer uma mudança de atitude do poder judiciário de mandar demolir quando a construção for ilegal (aplausos efusivos). E eu acho que é assim, a gente escuta em todo canto, é unânime que tá todo mundo farto desse crescimento vertical da cidade (aplausos). Eu ratifico completamente a fala do professor Tomás: ninguém aguenta mais as altas temperaturas, a obstrução da visão… Eu moro em apartamento mas porque eu não tenho outra opção. Aqui eu não to sendo contra o crescimento e o desenvolvimento da cidade não, mas que cresça de forma horizontal também, que se alastre pra outros bairros, que. Mas ninguém aguenta mais aqueles espigões e a cidade não tenha infraestrutura pra isso, sobrecarrega o sistema de esgotamento sanitário, o trânsito e faz a cidade ser menos democrática mesmo porque todo mundo tem que pegar o seu carro. Então eu aproveito a oportunidade pra dizer que esse projeto é uma semente pra a gente repensar o modelo imobiliário que está sendo implantado na cidade do Recife (aplausos). Eu gostaria também por fim, de ler um trecho do cidadão Leonardo Cisneiros que circulou nas redes sociais. Eu acho que o promotor moderno não pode prescindir das redes sociais porque senão ele fica sozinho, encastelado no seu gabinete, na sua sala. Então eu preciso, e o Ministério Público precisa… E gostaria de ler porque eu acho que esse texto exprime o sentimento de todo cidadão recifense que não tem interesse financeiro ou direto na verticalização da cidade: “O modelo de negócio da indústria da construção civil em Recife e o modelo de desenvolvimento da prefeitura e do governo do estado são pouquíssimos sustentáveis e se assemelham à lógica do extrativismo mais bruto: obter o máximo de lucro de cada área edificada sem planejamento a longo prazo. Isso fará com que a longo prazo a indústria seja vítima dela mesma quando a atratividade da habitação na áera urbana da cidade for diminuída pelo excesso de verticalização e seus problemas. Diversos projetos alternativos poderiam promover a revitalização daquela área, poderiam dar bastante lucro às empreiteiras sem tanto impacto na identidade visual da cidade e na infraestrutura local, porém não forma cogitados e menos ainda discutidos publicamente. A única alternativa apresentada foi a da máxima ocupação tecnicamente viável e o discurso que os interessados pelo projeto colocam nos jornais é uma falsa dicotomia entre ser a favor dessa única proposta ou ser inimigo do progresso”. A gente não tá, acredito, nem de um lado nem do outro. A gente quer sim desenvolvimento, a gente quer ocupação, mas uma ocupação sustentável que seja usufruída por toda sociedade. Essa é a posição do Ministério Público e farei todos os esforços necessários e tudo o que tiver ao meu alcance pra defender essa posição. Por fim eu gostaria de citar uma frase que eu gosto muito que “a verdade é filha do tempo e não da autoridade, mas se a gente deixar passar o tempo sem tomar nenhuma providência quanto a isso pode ser tarde demais” (aplausos efusivos).